11 de Julho de 2009 - 18h10 - Última modificação em 11 de Julho de 2009 - 18h10
Economista diz que impasse na reunião do G8 era esperado
Alana Gandra
Repórter da Agência Brasil
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Rio de Janeiro - A reunião do G8 (grupo das sete maiores economias do mundo, mais a Rússia), encerrada ontem (10) em L'Aquila, na Itália, terminou sem avanços nas questões centrais. A avaliação é do professor de Economia Internacional da Universidade do Estado do Rio de Janeiro e da Escola Superior de Propaganda e Marketing Fernando Padovani.
Segundo Padovani, há divergências quanto às ações que devem ser implementadas para acelerar o crescimento econômico e preocupação com o tempo que a economia global pode levar para se recuperar. Em entrevista à Agência Brasil, ele disse que o presidente americano, Barack Obama, e o primeiro-ministro inglês, Gordon Brown, consideram muito longa a perspectiva de crescimento zero pelos próximos 18 meses para a economia mundial e para a do G7, grupo é formado por Estados Unidos, Canadá, Japão, Alemanha, França, Reino Unido e Itália.
De acordo com Padovani, isso teria custo político muito alto para esses países. “Eles querem acelerar o crescimento. Por isso, Estados Unidos, Inglaterra e Japão pregam um novo tipo de pacto de investimentos públicos para reanimar a economia”. Ele ressaltou, contudo, que não deverá haver novo pacote para socorrer bancos.O bloco europeu é contra isso, por entender que os países já gastaram demais com a crise. Além disso, correm o risco de sofrer críticas da opinião pública, muito atuante no continente. “Esse é o grande impasse”, disse Padovanit Além disso, há o Bric (grupo formado por Brasil, Rússia, Índia e China, que briga por mais espaço nas discussões. O debate foi iniciado na última reunião do G20 (integrado pelas principais economias do mundo), realizada em abril passado. “E Europa e Estados Unidos não estão com muita vontade de ceder nisso.”
Padovani prevê indefinição do cenário até o próximo encontro do G20, marcado para setembro, na cidade de Pittsburgh, nos Estados Unidos. Na política internacional, disse ele, “conciliar prioridades inconciliáveis é muito comum. E, daí, a tendência de não acontecer nada é muito grande”. No entanto, ele considera positivo manter o processo de discussão em funcionamento. “O impasse é ruim, mas significa que o processo está vivo."
Na opinião do economista, para não decepcionar os investidores e os eleitores, é preciso haver sinalização de continuidade do processo, mesmo que sejam pequenos entendimentos de âmbito mais abrangente, como a ajuda prometida pelo G8 para a agricultura nos países em desenvolvimento e o combate à fome no mundo, com destaque para os países africanos.
Para ele, também poderá ser criado um novo grupo, o G14, reunindo os países ricos e os emergentes, ou o G20 ganharia força nos debates a partir de agora. “Isso vai ganhar consistência porque, atualmente, para que qualquer ação coordenada tenha legitimidade, é preciso convidar a China. E os outros países do Bric [Brasil, Rússia e Índia] vêm junto.” Isso não invalida que o "G7 histórico", sem a Rússia, permaneça vivo. O G7 perdeu importância com a crise, mas ainda representa dois terços do Produto Interno Bruto (PIB) mundial, ressaltou. “Diminuíram de tamanho, cederam espaço para a China e o Bric, mas ainda são a locomotiva.”
Padovani espera que as grandes discussões em torno da economia mundial prossigam em setembro, quando deverá ser relançada a rodada de negociações da Organização Mundial do Comércio (OMC), que tratará principalmente da questão dos subsídios agrícolas. Os principais temas em debate serão o novo pacote de gastos públicos, a reforma do sistema financeiro e a cessão de mais espaço para Brasil e China no Fundo Monetário Internacional (FMI).
Edição: Nádia Franco![]()
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