8 de Julho de 2009 - 18h01 - Última modificação em 8 de Julho de 2009 - 18h22
Meninas são as maiores vítimas de abuso sexual em cidade da Baixada Fluminense
Alana Gandra
Repórter da Agência Brasil
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Rio de Janeiro - Meninas na faixa etária dos 7 aos 17 anos são as maiores vítimas de abuso sexual em Belford Roxo, município da Baixada Fluminese. Foi o que revelou pesquisa realizada pelo Programa de Ações Integradas e Referenciais de Enfrentamento à Violência Sexual Infantojuvenil no Território Brasileiro (Pair) e pela Associação Brasileira Terra dos Homens (ABTH).
"A gente tem uma escala gradativa. Quanto menor a criança, o abuso sexual intrafamiliar [praticado por alguém de casa, dentro do lar] é mais praticado, possivelmente por uma maior vulnerabilidade dessa criança e da confiança que ela tem nos parentes. E, quanto maior for a idade, a gente vai tendo uma ida para fora da família. Casos de abuso e exploração também acontecem com maior frequência nas faixas etárias maiores”, relata a coordenadora do Pair no estado do Rio de Janeiro, Valéria Brahim.
Segundo ela, embora o pai e o padrasto sejam os principais autores de violência sexual contra crianças e adolescentes identificados na cidade da Baixada Fluminense, seguidos do avô, tio e irmão, a figura materna também é encontrada entre os molestadores sexuais, em muitos casos.
“Apesar de não ter aparecido com tanta frequência, até mesmo por uma questão de concepção da sociedade de que é o homem é o que violenta, há muitos casos [de abuso] que também são praticados por mães e avós que violentam seus filhos ou parentes mais próximos”.
Foram identificadas três localidades de maior ocorrência de violência sexual infantojuvenil em Belford Roxo. São as comunidades do Parque São José, Shangrilá e Praça de Heliópolis. Quando se busca a origem das crianças e adolescentes molestados, verifica-se, porém, que o número de comunidades citadas sobe para seis, e inclui as de Roseiral, Redentor e Bom Pastor. Em geral, são comunidades de menor poder aquisitivo.
A coordenadora do Pair ressaltou, contudo, que o abuso e a exploração sexual não estão ligados, necessariamente, à questão da renda. “A gente sabe que essa violência ocorre também nos condomínios da Barra da Tijuca e na Zona Sul, mas eles têm um muro de influência muito mais forte. E os casos não chegam, infelizmente, aos atendimentos públicos”. Isso significa que quanto mais rico for o autor da violência sexual contra a criança e o adolescente mais difícil fica a sua responsabilização.
A pesquisa aplicada em Belford Roxo foi divulgada hoje (8) durante seminário do Pair, no município.
Edição: Lana Cristina![]()
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