quinta-feira, julho 02, 2009

Agência Brasil - País tinha pouca capacidade de reação no início do Plano Real, avalia pesquisador - Direito do Trabalho

 
1 de Julho de 2009 - 09h26 - Última modificação em 1 de Julho de 2009 - 10h19


País tinha pouca capacidade de reação no início do Plano Real, avalia pesquisador

Alana Gandra
Repórter da Agência Brasil

 
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Rio de Janeiro - Em 1999, ainda no governo Fernando Henrique Cardoso, o cenário começou a dar sinais de melhoria, a partir da desvalorização do real. “E, aí, você tem a geração de empregos dentro do país começando a melhorar”, disse o economista Ricardo Amorim, do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). 

Ele lembrou que ficou caro importar e a indústria iniciou um processo de reação.“Resultado: nós começamos a ver a indústria retomando um pouco de crescimento, melhorando a sua inserção na produção nacional. E aí você tem novamente geração de empregos. Elos da cadeia produtiva foram refeitos, o que é muito bom”, comentou o pesquisador.

Segundo Amorim, o problema detectado naquela época é que o Estado brasileiro saiu extremamente endividado do Plano Real e, por consequência, com pouca capacidade de reação. A partir do governo Luiz Inácio Lula da Silva, o quadro começou a mudar.

Ricardo Amorim disse que já existia melhoria no emprego industrial e, apesar da intenção de continuar pagando com juros altos a dívida interna, “criada com o Plano Real, o governo brasileiro interrompe ações de caráter neoliberais tomadas por seu antecessor”. Entre elas, as privatizações.

“As ações dos bancos do estado começam a crescer de maneira significativa, as empresas públicas são motivadas a investir”, comentou.

Paralelamente, o governo iniciou programas sociais ativos, como o Bolsa Família, e a Previdência Social reforçou também sua atuação como distribuidor de renda no país e redutor da pobreza. Com isso, Amorim afirmou ter ocorrido um reforço grande do aumento real do salário mínimo durante anos no governo Lula.

“Isso tem um impacto forte na base salarial e também porque dois terços da Previdência Social têm o valor do salário mínimo. Então, é um esforço de renda muito grande para as classes mais pobres brasileiras”.

Aliado ao desempenho na economia mundial, isso acabou gerando crescimento econômico. O Brasil voltou a crescer, a gerar emprego e renda. “Ao mesmo tempo, havia uma força distributiva muito grande, não do mercado, mas do Estado na base da pirâmide. E nós conseguimos melhorar a pobreza e a desigualdade desde 2004”.

As desigualdades regionais em termos de pobreza persistem, entretanto, até hoje, afirma o economista, lembrando que o Mapa da Fome, elaborado pelo professor Josué de Castro na década de 50 do século passado, mostra a Região Norte/Nordeste como a mais pobre do país e o Centro-Sul como a menos pobre, fato que se mantém até hoje.



Edição: Tereza Barbosa  


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