Texto publicado domingo, dia 12 de junho de 2011Credores da Parmalat decidem se aceitam depósitoA Parmalat Participações (PPL Participações) é a primeira empresa falida no Brasil a realizar uma Assembleia Geral de Credores em caráter excepcional. Os credores vão votar para aprovar ou não o pré-acordo feito pela administradora judicial da massa falida com Enrico Bondi, administrador da concordata da Parmalat italiana (SPA). Nele, foi combinado que aproximadamente R$ 40 milhões serão depositados em favor dos credores brasileiros.
O acordo só tem validade até agosto, já que a partir dessa data a Parmalat SPA passará a ser gerida pelo grupo francês Lactalis, que segundo informações da companhia não terá interesse em mantê-lo.
Se na assembleia os credores aprovarem o pré-acordo, a massa falida da PPL terá uma das maiores quantias já depositadas em uma falência. A Administradora Judicial já conseguiu repatriar para a massa falida R$ 1,6 milhão.
O requerimento da assembleia feito pela administradora judicial Capital Consultoria foi deferido pelo juízo da 1ª Vara de Recuperação Judicial e Falências de São Paulo, e vai acontecer em 27 de junho (primeira convocação) e 5 de julho (segunda convocação).
Indenização
A administradora judicial está esperando que o Juízo da 29ª Vara Cível julgue uma ação em que pede o ressarcimento de 1 bilhão de euros do banco de investimentos Credit Suisse First Boston Internacional por cobrança indevida. O trâmite dessa ação estava suspenso aguardando o julgamento da impugnação ao pedido da CSFB de habilitar 500 milhões de euros na falência da PPL, que recentemente foi julgado improcedente.O juiz Daniel Carnio Costa, da 1ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais de São Paulo, negou o pedido do Credit Suisse por entender que os bonds, títulos de crédito que podem ser convertidos em ações ou em dinheiro, dados pela Parmalat Participações, tinham sido transferidos para a Parmalat italiana e deixaram de ser exigíveis porque foram convertidos em capital social.
Fraude
No dia 9 de dezembro de 2010, Calisto Tanzi, fundador da Parmalat SPA, foi condenado a 18 anos e prisão pelo Tribunal de Parma, na Itália, pela falência fraudulenta da empresa. Também foram condenados outros dirigentes, todos responsabilizados pelo rombo de 14 bilhões de euros. Foi a segunda condenação imposta a Tanzi, que em 2008 foi condenado a 10 anos de prisão por gestão fraudulenta.A crise na Parmalat explodiu no final de 2003, quando foi descoberto um rombo bilionário no seu caixa. A empresa entrou em colapso, mas, dois anos depois, foi reerguida das cinzas. Desde então, a Justiça italiana procura os responsáveis pelo que é considerado um dos maiores escândalos financeiros da Europa.
Clique aqui para ler o edital de convocação da Assembleia Geral de Credores Extraordinária.
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