Do Lar vs Empregado(a) Doméstico(a)
Sei que o tema é conturbado e divide opiniões, e respeitosamente peço sua licença caso você possua entendimento diverso. O objetivo aqui é questionar e contribuir, jamais ofender o leitor que prestigia nosso trabalho aqui no Prev. Na minha opinião, as atividades de um(a) Do Lar (Dono (a) de Casa) se equiparam às atividades de um(a) Empregado(a) Doméstico(a)/Faxineiro(a)/Diarista, na medida em que executam tarefas similares de cunho doméstico.Definição da Classificação Brasileira de Ocupações
Para justificar minha posição, é interessante trazer a descrição sumária das atividades de uma Empregado(a) Doméstico(a), segundo a Classificação Brasileira de Ocupações (CBO):Preparam refeições e prestam assistência às pessoas, cuidam de peças do vestuário como roupas e sapatos e colaboram na administração da casa, conforme orientações recebidas. Fazem arrumação ou faxina e podem cuidar de plantas do ambiente interno e de animais domésticos.Ora, não são essas as tarefas também desempenhadas por segurados e seguradas Do Lar?
Precedentes
Neste sentido, trago o julgamento de um caso semelhante, de relatoria do brilhante jurista José Antonio Savaris:Do benefício previdenciário por incapacidade No caso dos autos, segundo o relato do perito judicial, a autora apresenta incapacidade para as atividades de diarista, mas não para as atividades de dona de casa (considerando as diferenças de exigência clínica de cada uma delas) (ev. 30). [...] Em que pese o laudo pericial ter concluído pela aptidão laborativa, não se pode negar que o conjunto de patologias mencionadas incapacitam sensivelmente para o exercício das atividades que demandam preponderantemente esforço físico intenso no trabalho doméstico em sua própria residência. (5002745-51.2017.4.04.7006, TERCEIRA TURMA RECURSAL DO PR, Relator JOSÉ ANTONIO SAVARIS, julgado em 29/04/2019).Ainda mais enfático é o brilhante raciocínio jurídico empregado no processo federal nº 50014417120184047106 pelo Dr. Lademiro Dors Filho, Juiz Federal da Subseção de Santana do Livramento/RS:
Na hipótese dos autos, observo que o perito não apontou razões técnicas para afirmar que a autora é capaz para atividades do lar e incapaz para atividades de trabalhadora doméstica. Ora, muito embora as atividades domésticas exercidas no âmbito do próprio lar e em prol da família não estejam sujeitas à subordinação a empregador e assim podem ser atenuadas quanto à intensidade e frequência em que são realizadas, não são totalmente distintas daquelas desempenhadas de forma remunerada, como diarista/faxineira ou empregada doméstica. As atividades desempenhadas no lar, mormente considerando que a autora conta com 62 anos de idade, também exigem esforços físicos moderados a intensos, pois não é crível considerar que a demandante possa viver em um ambiente sem limpeza, sem o recolhimento de lixo, sem atividades habituais de organização e manutenção da casa, além das atividades diárias atinentes à preparação de alimentos. Ademais, não é possível afirmar que as tarefas dona de casa abranjam apenas as administrativas, até porque a experiência comum demonstra se tratar de casos excepcionais.E aí, pessoal, qual a opinião de vocês a respeito? Por fim, vou disponibilizar um modelo de petição relacionado ao caso. Feliz Páscoa!
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