Texto publicado terça, dia 27 de setembro de 2011Polícia conclui que revolta em Jirau foi criminosaO incêndio de ônibus e carros, os furtos e a depredação, inclusive do alojamento dos trabalhadores, nas obras da Usina de Jirau não foram promovidos pelo "movimento trabalhista", mas, sim, por um grupo de operários sem compromisso com a classe. Este é o resultado do inquérito policial concluído nesta terça-feira (27/9). Para os delegados Hélio Teixeira Lopes Filho e Alessandro Bernardino Morey, que assinam o inquérito policial, o episódio foi causado por um "bando criminoso que queria na verdade depredar, danificar, incendiar e furtar as instalações do polo da Usina Hidrelétrica de Jirau".
O inquérito ressalta que, embora fosse constatada a insatisfação dos empregados com relação a algumas questões trabalhistas, como o valor pago pelo ticket alimentação, o fim das horas-extras, a correção salarial e a participação nos lucros da empresa, tais reivindicações não tiveram relação com os tumultos ocorridos. Os delegados acreditam que o grande número de trabalhadores (22 mil ao todo), a prisão de um deles e os excessos por parte da Polícia Militar, como o uso de balas de borracha, foram ingredientes fundamentais para caracterizar os fatos lamentáveis.
De acordo com o inquérito, o estopim da história foi a agressão que um operário sofreu por parte de um dos motoristas de ônibus que fazem o transporte dos trabalhadores dentro e fora da obra. Este fato gerou uma manifestação na qual um ônibus foi queimado, veículos de passeio também, além da área de lazer. A Polícia Militar foi chamada e no dia posterior (16/3) a situação já estava aparentemente controlada.
Na tarde do dia 16, o Comando da Polícia Militar, os gerentes da construtora Camargo Corrêa e o chefe da segurança particular da empresa, decidiram retomar as obras na manhã do dia seguinte, já que a situação parecia estar sob controle. Tal decisão foi contestada pelo delegado Osmar Casa, que esteve no local durante o incidente e entendeu que a volta ao trabalho deveria ser adiada. Sua opinião não prevaleceu.
Ocorre que no dia 17 de março, a prisão de um operário — que o inquérito não soube precisar se foi justa ou não — acarretou novas manifestações com a destruição dos alojamentos da construtora. Segundo o inquérito, a prisão do operário resultou num verdadeiro confronto entre trabalhadores e policiais, com uso de balas de borracha e bombas de efeito moral.
Os responsáveis pelo inquérito afirmam que não prosperam especulações de que a própria construtora teria induzido os trabalhadores a atearem fogo nas dependências do alojamento para depois poder aumentar o valor da obra ou justificar atrasos na entrega, ou de que os protestos serviriam de guarida para criminosos praticarem furtos a caixas eletrônicos. Houve ainda boatos de que os "protestos" foram financiados por presos do Presídio Federal, com intenção de desviar o foco e acobertar uma fuga. Nenhuma dessas especulações apresentou lastro ou veracidade, de acordo com os delegados.
Versão da polícia
O comandante da Companhia de Operações Especiais da Polícia Militar Valdemir Carlos Goes declarou que ao chegar na Usina Jirau encontrou ônibus, a área de convivência e quiosques depredados e queimados. A tropa de choque conseguiu avançar até a margem esquerda, para ocupar espaço e evitar mais danos ao patrimônio da empresa. No dia 16 de março, a obra funcionou parcialmente. Os trabalhadores foram orientados a ficar nos alojamentos e só sair nos horários das refeições.No dia 17, de acordo com o comandante, um grupo de três mil homens se reuniu nas imediações do refeitório solicitando a presença do representante da empresa, mas não houve acordo entre operários e a construtora. Momentos depois, atos de vandalismo, como ônibus e carros queimados, foram registrados.
A Polícia afirma que toda a ação teve o objetivo de evitar mais destruição e proteger os trabalhadores. Ressaltou que alguns operários ainda estavam dormindo quando outros começaram a atear fogo no alojamento, sendo que a atuação da Polícia foi importante para evitar uma tragédia ainda maior. Ressaltou que a Polícia Militar exerceu sua função constitucional de preservação da ordem pública.
Conclusão do inquérito
O inquérito concluiu que da forma como os fatos se desenvolveram ficou evidente que as centenas de saques, os incêndios e as depredações registrados pela autoridade policial foram fruto de um ambiente propício para tal: operários insatisfeitos, excesso da força policial e, principalmente, pessoas que se aproveitaram da desordem.O documento traz depoimentos de pessoas que presenciaram os fatos, desde comerciantes que foram alvos de furtos de mercadorias como pacotes de bolacha e caixas de chiclete, até o comerciante que teve prejuízo de R$ 70 mil com furtos e depredações.
Leia o Inquérito:
Inquérito Parte I
Inquérito Parte II
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quarta-feira, setembro 28, 2011
Consultor Jurídico - Polícia conclui que revolta em Jirau foi feita por um "bando criminoso" - Notícias de Direito
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