Texto publicado terça, dia 1º de fevereiro de 2011Começar de Novo traça perfil da população carceráriaO Programa Começar de Novo, do Conselho Nacional de Justiça, vai fazer um censo em 2011 para traçar o perfil socioeconômico da população carcerária brasileira. Serão levantadas informações sobre aptidões e interesses profissionais, laços familiares, idade, saúde, entre outras, que permitirão ao CNJ melhorar o planejamento e a eficiência das atividades do programa. O Começar de Novo é voltado para a ressocialização, a capacitação e a profissionalização de detentos e e ex-detentos. O programa foi criado pelo CNJ na gestão do ministro Gilmar Mendes.
O censo será feito por meio de um sistema informatizado, que será lançado no primeiro semestre do ano em Minas Gerais, Maranhão, Mato Grosso e Espírito Santo e depois estendido para os outros estados. O sistema será alimentado pelos governos estaduais, que também vão registrar informações sobre cursos de capacitação, vagas para emprego e outros atendimentos.
Outra prioridade para este ano do progralam é a articulação entre o Começar de Novo e entidades da sociedade civil que desenvolvem trabalhos comunitários. O objetivo é que elas incorporem os ex-detentos às suas atividades, aumentando, dessa forma, as chances de ressocialização.
A capacitação
De acordo com reportagem do Correio Braziliense, publicada nesta segunda-feira (31/1), faltam presidiários qualificados. O Programa Começar de Novo foi criado em outubro de 2009. Segundo o jornal, dois meses após a implantação da iniciativa, havia 1,3 mil vagas de trabalho disponíveis para os detentos ou egressos do sistema prisional. Um ano e três meses depois, a quantidade de vagas chega a 2,6 mil. No entanto, apenas 423 dessas oportunidades, 16,29% das vagas, estão preenchidas.De acordo com o advogado Pierpaolo Cruz Bottini, ouvido pelo Correio, o maior problema do setor é a pouca ou nula preparação profissional dos apenados. Outro fator que motiva o não preenchimento de oportunidades é a burocracia enfrentada por presos que cumprem penas em regime semiaberto. “Isso cria uma dificuldade em relação à liberação para o trabalho, já que não há vagas suficientes nos presídios de regime semiaberto”, disse Bottini. Já o sociólogo Fernando Salla, pesquisador do Núcleo de Estudos da Violência da Universidade de São Paulo (USP), afirmou que há desencontros em relação à formação exigida pelas empresas e a oferecida pela mão-de-obra de presos.
Para reverter essa situação, o Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) incluiu em seu Plano Setorial de Qualificação (Planseq) – graças a uma parceria com o Começar de Novo e o governo federal – 760 detentos de Minas Gerais. Eles vão participar de cursos de capacitação na área da construção civil. Será liberado pelo governo R$ 662,7 mil para a formação do grupo.
Os cursos serão oferecidos nas unidades prisionais da região metropolitana de Belo Horizonte (MG), com capacitação nas funções de pedreiro, carpinteiro e gesseiro, entre outras. Os detentos capacitados serão encaminhados a processo de seleção para preenchimento de vagas em empresas filiadas ao Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado de Minas Gerais (Sinduscon-MG) e ao Sindicato da Construção Pesada de Minas Gerais (Sicepot-MG), parceiros do Programa Começar de Novo. O CNJ pretende estender a parceria com o MTE a outros estados do país.
O Começar de Novo também vai propiciar que ex-detentos e jovens em conflito com a lei trabalhem nas obras de infraestrutura para a Copa do Mundo de 2014 nas 12 capitais que receberão a competição. Eles representarão 5% da mão-de-obra total, como resultado do acordo firmado, em 2009, entre o CNJ, o Ministério dos Esportes e o Comitê Organizador da Copa do Mundo 2014.
A reportagem do Correio mostrou, ainda, que apenas 15% do universo de quase 500 mil presos brasileiros trabalham. Segundo o juiz do Departamento de Monitoramento e Fiscalização do Sistema Carcerário e das Medidas Socioeducativas (DMF) do CNJ, Luciano Losekann, apenas 5% da população encarcerada presta algum tipo de serviço dentro dos presídios. Ele afirmou, ainda, que aproximadamente 80% dos libertos voltam a ser presos, devido à falta de qualificação e de ocupação dos presos.
A população carcerária do Distrito Federal ultrapassa 9 mil homens e mulheres, segundo dados da Subsecretaria do Sistema Penitenciário (Sesipe) do Distrito Federal divulgados pelo Correio. Cerca de 1,3 mil detentos fazem atividades diversas, como carpintaria, jardinagem e oficina dentro dos presídios locais. Ainda há pouco mais de dois mil detentos em regime semiaberto e apenas 746 prestam algum serviço foram do presídio.
O programa
Criado em 2009, o Começar de Novo promove ações para sensibilizar os órgãos públicos e a sociedade civil com o propósito de coordenar, em âmbito nacional, as propostas de trabalho e de cursos de capacitação profissional para presos e egressos do sistema carcerário, de modo a concretizar ações de cidadania e promover a redução da reincidência no crime. No dia 3 de dezembro, o programa recebeu o VII Prêmio Innovare, que valoriza práticas do Poder Judiciário que beneficiam diretamente a população.Os empregadores interessados em participar do programa podem se inscrever no site do CNJ, onde estão listadas as oportunidades de emprego para os detentos que queiram trabalhar. A maioria das 451 parcerias, firmadas por meio de um Termo de Cooperação Técnica, é de empresas particulares, que ofertam 80% das vagas. Todos os estados brasileiros já aderiram ao programa. Com informações da Assessoria de Imprensa do CNJ.
Technorati Marcas: : Consultor Jurídico, Direito, Notícias de Direito, http://www.conjur.com.br/2011-fev-01/programa-comecar-tracar-perfil-populacao-carceraria,
BlogBlogs Marcas: : Consultor Jurídico, Direito, Notícias de Direito, http://www.conjur.com.br/2011-fev-01/programa-comecar-tracar-perfil-populacao-carceraria,
As Informações, Estudos, Livros, e Reportagens importantes para o estudante de Direito. Uma descoberta em cada estágio do curso.
quarta-feira, fevereiro 02, 2011
Consultor Jurídico - Programa Começar de Novo vai traçar perfil da população carcerária - Notícias de Direito
Assinar:
Postar comentários (Atom)
Nenhum comentário:
Postar um comentário