quarta-feira, novembro 11, 2009

Agência Brasil - Cfemea defende punição para estudantes que participaram de agressão à aluna da Uniban - Direitos Humanos

 
10 de Novembro de 2009 - 21h17 - Última modificação em 10 de Novembro de 2009 - 23h22


Cfemea defende punição para estudantes que participaram de agressão à aluna da Uniban

Daniel Mello
Repórter da Agência Brasil

 
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São Paulo - Os estudantes que agrediram a aluna Geisy Arruda por usar um vestido curto na universidade deveriam ser punidos, na opinião da assessora técnica do Centro Feminista de Estudos e Assessoria (Cfemea), Patrícia Rangel.

“Deveria haver sim algum tipo de punição em relação aos agressores. Porque foi feito um ato de violência contra uma aluna e os agressores devem ser punidos. Até porque se trata de um caso típico de violência contra às mulheres”, afirmou em entrevista à Agência Brasil.

O vice-reitor da Universidade Bandeirante (Uniban), Ellis Brown , instituição onde ocorreu a agressão, disse hoje (10) que os alunos envolvidos no episódio não serão punidos. A universidade optou por um ciclo de palestras em vez de aplicar medidas disciplinares. Por conta dessa nova opção, a instituição reintegrou a aluna vítima da agressão, que havia sido expulsa.

Durante a entrevista coletiva para esclarecer o caso, o vice-reitor da Uniban afirmou que o incidente não foi uma questão de gênero ou de vestimenta, mas uma discussão de postura. A “postura” foi o motivo apontado por Brown para a expulsão de Geisy.

No entanto, para a assessora do Cfemea, o incidente é “um exemplo claro de violência de gênero e de violação dos direitos humanos”. Segundo Patrícia Rangel, o argumento de que a vítima é responsável pela agressão é comumente utilizado nas violências de gênero. “Definitivamente, a instituição reproduz esses valores machistas que determinam que cada sexo tem uma regra de conduta e uma regra de vestuário”, disse.

Quanto a proposta educacional da universidade, a assessora da Cfemea disse que parece se tratar de uma maneira de reforçar as ideias que geraram a agressão. “A impressão que nós tivemos é que seria um processo educativo moralizante, para enquadrar ainda mais esses padrões de conduta femininos e masculinos. Isso seria sem dúvida a pior decisão”, afirmou.

Patrícia Rangel acredita que deveria ser realizado um trabalho para conscientizar os alunos sobre a igualdade de gênero, “de forma a defender as liberdades individuais e a autonomia”.



Edição: Aécio Amado  


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