sexta-feira, agosto 31, 2007

Mensalão gera crise no STF

Fonte: Migalhas


Mensalão gera crise no STF

Que estrago vem fazendo o mensalão!

O pior é que não é o governo Lula que está em crise em função do mensalão. Por incrível que pareça, é no Supremo Tribunal Federal onde os denunciados serão julgados, que a coisa ficou feia.

Tudo teve início quando da divulgação da troca de mensagens entre os ministros Ricardo Lewandowski e Carmem Lúcia logo no primeiro dia do julgamento da admissibilidade da denúncia do procurador-geral da República, Antonio Fernando Souza, contra o ex-ministro José Dirceu e mais 39 envolvidos no “mensalão”. Entre outras coisas chamaram um colega de Corte (o ministro Eros Grau) de cupido, trataram sobre o jogo de poder dentro do STF, e dividiram confidências sobre os votos dos ministros.

O ministro Lewandowski conseguiu ainda nesse dia, demonstrar que tudo o que se fala a respeito do livre convencimento e da íntima convicção do assessor, ops…do juiz ao prolatar sua decisão é mais uma figura ilusória do que uma situação de fato.

Toda essa questão seria cômica, se não fosse trágica, pois diante de uma questão de tamanha importância para todos a maioria dos brasileiros, que não agüentam mais pagar impostos elevadíssimos para sustentar a corrupção presente em todas áreas do Estado brasileiro, ministros do STF acabaram colocando a mais alta Corte do país em uma situação contrangedora, para dizer o mínimo.

No segundo dia, os ministros tentaram colocar panos quentes na crise gerada, contudo depois do plenário ter aceito a denúncia contra os 40 acusados, o ministro Lewandowski expôs ainda mais as feridas abertas cinco dias antes. Afirmou em uma conversa telefônica flagrada pela reportagem do jornal Folha de São Paulo, que “todo mundo votou com a faca no pescoço”, e que “a tendência era amaciar para o Dirceu.”

A primeira coisa a saber é: havia motivo para amaciar?

O próprio ministro não foi flagrado afirmando estar impressionado com a consistência da apresentação da denúncia?

Pois bem, não cabe a mim fazer julgamentos, nem ao assessor do ministro, contudo a reação dos colegas de Lewandowski no Supremo veio rápida e forte, como não poderia deixar de ser, pois é antes de tudo o nome e a credibilidade da própria instituição que estão em jogo.

Surpreendente foi a rápida reação do sr. José Dirceu, que logo depois ficar sabendo das declarações do ministro Lewandowski, se colocou “do outro lado do balcão”, passando de acusado para acusador numa tentativa desesperada de desacreditar o trabalho realizado pela Corte Suprema do país.

Pelo que se pode observar a crise do mensalão no STF ainda está longe do fim, pois mesmo que tenha tentado, suas explicações não foram bem recebidas pelos demais ministros. Inclusive o ministro Eros Grau está avaliando a possibilidade de “interpelar judicialmente” seu colega.

A frase do ministro Ayres Britto “Está para nascer quem coloque uma faca no meu pescoço para decidir, está perdendo tempo, não me senti acuado e muito menos com a faca no pescoço” e as declarações da presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Ellen Gracie, em nota oficial, negando que “pressões externas” tenham interferido no julgamento da denúncia do mensalão demonstram o tamanho do problema.

Resta saber se estas feridas serão tratadas internamente, o que possivelmente deve ocorrer, depois que o ministro Ricardo Lewandowski alegou que estas declarações foram um “desabafo”, ou se a mídia continuará a fazer parte da crise.

De nossa parte cabe apenas recomendar ao ministro Lewandowski:

Caro Ministro utilize mais o velho ditado que todos cansamos de escutar de nossos pais - “Em boca fechada não entra mosca”… e adote mais um, que pode parecer ridículo, mas será de grande utilidade: “de programa de mensagens fechado, ninguém tira fotos”



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