domingo, janeiro 31, 2010

Agência Brasil - Feministas querem que governo incentive divisão de tarefas domésticas entre homem e mulher - Direito do Trabalho

 
27 de Janeiro de 2010 - 23h27 - Última modificação em 28 de Janeiro de 2010 - 15h23


Feministas querem que governo incentive divisão de tarefas domésticas entre homem e mulher

Isabela Vieira
Repórter da Agência Brasil

 
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Renato Araújo/ABr
Gravataí (RS) - Rosane da Silva, secretária nacional sobre a Mulher Trabalhadora da CUT, fala à imprensa durante Plenária da Marcha das Mulheres, na Câmara de Vereadores da cidadeGravataí (RS) - Rosane da Silva, secretária nacional sobre a Mulher Trabalhadora da CUT, fala à imprensa durante Plenária da Marcha das Mulheres, na Câmara de Vereadores da cidade
Porto Alegre - Os movimentos feministas defenderam hoje (27), no Fórum Social Mundial, a ratificação pelo Brasil da Convenção 156 da Organização Internacional do Trabalho (OIT) para estimular a sociedade a repensar o papel do homem nas famílias brasileiras. O documento recomenda que os países criem mecanismos para ajudar os trabalhadores no cuidado com filhos e parentes.

Mais do que abrir creches, a ratificação do instrumento poderia permitir que os homens participassem mais das tarefas domésticas e do cuidado com idosos e crianças, inclusive, com ampliação da licença paternidade.

No Brasil, poderia estimular mudanças em papéis sociais que atribuem às mulheres “a função de cuidadora”, por meio de mudanças nos programas de televisão e na publicidade, na avaliação da secretária nacional de mulheres da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Rosane da Silva.

“Os veículos de comunicação deveriam cumprir seu papel real que é de informar. Aí uma das formas é mostrar que é possível ter trabalho [doméstico] igual entre homens e mulheres. Nas novelas, as mulheres são sempre as empregadas. Nas novelas, muitas vezes, também passa a imagem de que a mulher para ser feliz tem que ter uma família tradicional, casada, com papel de reprodutora e criadora”, criticou a sindicalista.

Durante o evento da organização não governamental Marcha Mundial de Mulheres, que reuniu cerca de 500 participantes em Gravataí, região metropolitana de Porto Alegre, a CUT relançou uma campanha em favor da convenção. A iniciativa também tem apoio de outras organizações de mulheres como o Centro de Ação Comunitária, do Rio de Janeiro.

“É muito natural a mulher cuidar da sogra, mas não é nada natural o homem cuidar da sogra ou do sogro. Essa é uma visão machista da sociedade, que coloca como uma função nata da mulher o cuidado com filhos e idosos. Onde está escrito que cuidar de filho, cuidar de casa, é tarefa de mulher? Não está em nenhum lugar, nem na Bíblia”, destacou Rosane.

O objetivo das duas entidades é recolher assinaturas para cobrar do governo federal a ratificação do documento para que seja encaminhado para aprovação do Congresso Nacional.

Aprovado na década de 1980, a Convenção 156 da OIT recomenda que os governos promovam políticas públicas que incentivem o setor privado a facilitar a entrada no mercado de trabalho de pessoas com com filhos ou parentes que necessitem de mais atenção, como idosos e pessoas com deficiência, por meio da divisão compartilhada de tarefas.

A Marcha Mundial de Mulheres terminou com uma caminhada pela ruas de Gravataí, com mais de 300 participantes. As feministas chamaram atenção para a mercantilização do corpo das mulheres, cobraram a revisão da legislação punitiva sobre o aborto e defenderam o direito de ter mais autonomia sobre seus corpos.


Edição: Rivadavia Severo  


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