Texto publicado domingo, dia 14 de agosto de 2011Cotas para indígenas preocupam advogados dos EUAO tema da presença de advogados descendentes de indígenas no mercado da advocacia americana pegou de surpresa os participantes do encontro anual da American Bar Association, a OAB americana, ocorrido nas últimas duas semanas em Toronto, no Canadá. Segundo eles, há algo errado com as estatísticas, já que os números simplesmente não batem.
De acordo com a ABA, entre as décadas de 1990 e 2000, cerca de 2,6 mil indígenas ou descendentes de indígenas norte-americanos se graduaram em faculdades de Direito credenciadas pela Ordem dos Advogados do país. Contudo, de acordo com o último censo nacional, o número de advogados desse perfil étnico em atividade aumentou apenas em 200 profissionais.
A conclusão natural, de que o mercado da advocacia americana é hostil à diversidade étnica, foi rejeitada pela própria National Native American Bar Association Center for Racial and Ethnic Diversity (Centro para a Diversidade Racial e Étnica da Ordem Nacional dos Advogados Indígenas Americanos). A discrepância, segundo o Centro, seria em razão de muitos candidatos a vagas nas faculdades mentirem que são ou descendem de indígenas.
A Câmara de Delegados da ABA quer agora que as universidades exijam provas documentais de pré-universitários que se declararem indígenas. Ou seja, o candidato a uma vaga na faculdade de Direito que se identificar como "nativo americano" terá que informar a filiação tribal e o número de inscrição da tribo junto ao Departamento de Estado, ou na falta destes, fornecer uma “declaração de herança étnica”.
Fraude acadêmica
Segundo a resolução assinada em conjunto pelos delegados das ordens estaduais e representantes da National Native American Bar Association, declarações falsas sobre a etnia correspondem a “um enorme e persistente problema que equivale ao pior da fraude acadêmica”. Por isso, normas a esse respeito tem de ser estabelecidas.O documento diz ainda que há vantagens evidentes, em termos de competição, proporcionadas por fraudes do tipo. Nos EUA, para ingressar nas universidades, é levado em consideração todo o histórico de desempenho escolar do aluno, o perfil cultural, habilidades que possui, interesses e atividades extracurriculares as quais se dedicou. O fato de transitar entre duas culturas ou pertencer a um grupo étnico minoritário pode colaborar sensivelmente para uma boa avaliação do candidato.
Contudo, de acordo com a National Native American Bar Association, reconhecer-se como “Native American” não corresponde apenas a um perfil étnico, mas sim a ter uma cidadania, de fato, distinta. É pertencer, portanto, a uma tribo ou nação indígena com número de matrícula e registro.
Nos Estados Unidos, as populações e territórios indígenas dispõem de status legal singular, com direito a constituir governos, estabelecer leis e cobrar impostos. O relacionamento com esses grupos bem como questões de limitações à sua soberania são tratados pelo Departamento de Estado dos EUA, o Ministério das Relações Exteriores do país.
O tema é controverso mesmo para os próprios indigenas norte-americanos e seus descendentes. Para alguns grupos, 1/8 de descendência, ou seja, ter um dos bisavós originários de alguma tribo, basta para ser reconhecido como “Native American”. Porém, para o senso comum da maioria dos americanos, 1/16 de descendência – o que corresponde a um dos tataravós -, é válido para que alguém se identifique como pertencendo a um grupo étnico indígena natural da América do Norte.
Technorati Marcas: : Consultor Jurídico, Direito, Notícias de Direito, http://www.conjur.com.br/2011-ago-14/numero-cotistas-indigenas-faculdades-eua-nao-batem-censo,
BlogBlogs Marcas: : Consultor Jurídico, Direito, Notícias de Direito, http://www.conjur.com.br/2011-ago-14/numero-cotistas-indigenas-faculdades-eua-nao-batem-censo,
As Informações, Estudos, Livros, e Reportagens importantes para o estudante de Direito. Uma descoberta em cada estágio do curso.
segunda-feira, agosto 15, 2011
Consultor Jurídico - Fraudes com cota para índigenas preocupam ordem dos advogados americanos - Notícias de Direito
Assinar:
Postar comentários (Atom)
Nenhum comentário:
Postar um comentário