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20/04/2007 - 08:00 - Especialistas discutem Lei de Biossegurança no STF a partir de 9h
Logo mais, a partir de 9h desta sexta-feira, diversos especialistas iniciam suas apresentações no Supremo Tribunal Federal (STF) na audiência pública sobre a Lei de Biossegurança (Lei nº 11.105/05). O evento, que ocorre pela primeira vez na Suprema Corte, visa reunir informações científicas para julgar a Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) 3510, proposta pela Procuradoria-Geral da República (PGR) contra a utilização de células-tronco de embriões humanos em pesquisas e terapias. A PGR quer a declaração de inconstitucionalidade dos dispositivos por entender que não há permissão legal para a utilização dessas células.
A audiência pública será aberta pela presidente do STF, ministra Ellen Gracie, e pelo relator da ADI contra a Lei de Biossegurança, ministro Carlos Ayres Britto. Em breve mais detalhes.
Transmissão ao vivo
Os interessados em participar da audiência podem comparecer ao STF. As palestras serão realizadas na sala de sessões da Primeira Turma (Anexo 2, 3º andar) entre 9h e 12h e das 15h às 19h. A lotação será feita por ordem de chegada e quando não houver mais lugares a audiência poderá ser acompanhada por um telão instalado no auditório da Segunda Turma. A TV Justiça (SKY, canal 95, e DirecTV, canal 209) e a Rádio Justiça (91.1 FM, em Brasília) irão transmitir ao vivo as palestras. Somente os ministros do STF poderão elaborar perguntas aos especialistas.
Veja a lista dos especialistas convidados:
1- Mayana Zatz, geneticista, professora-titular da Universidade de São Paulo e presidente da Associação Brasileira de Distrofia Muscular
2- Lygia da Veiga Pereira, biofísica, professora associada da Universidade de São Paulo, com experiência em genética humana
3- Rosália Mendes Otero, médica pesquisadora, professora-titular da Universidade Federal do Rio de Janeiro
4- Stevens Rehen, neurocientista, presidente da Sociedade Brasileira de Neurociências e Comportamento e professor da UFRJ
5- Antonio Carlos Campos de Carvalho, médico, doutor em Ciências Biológicas pela UFRJ. Coordenador de pesquisa do Instituto Nacional de Cardiologia Laranjeiras e professor visitante do Albert Einstein College of Medicine, EUA
6- Luiz Eugenio Araújo de Moraes Mello, médico, pró-reitor de Graduação da Unifesp, vice-presidente da Federação das Sociedades de Biologia Experimental.
7- Drauzio Varella, médico, dirige, ao longo do Rio Negro, um projeto de bioprospecção de plantas brasileiras para testar no combate a células tumorais malignas e a bactérias resistentes a antibióticos
8- Oscar Vilhena Vieira, advogado especialista em direitos humanos, professor da Escola de Direito da FGV e da PUC-SP e diretor-executivo da Conectas Direitos Humanos
9- Milena Botelho Pereira Soares, bióloga, ligada à Universidade Estadual de Feira de Santana, à Fiocruz/BA e à Fundação Oswaldo Cruz
10- Ricardo Ribeiro dos Santos, médico, pesquisador da Fundação Oswaldo Cruz e coordenador científico do Hospital São Rafael (BA)
11- Esper Abrão Cavalheiro, pesquisador, ex-presidente do CNPq e da CTNBio, é professor-titular da Universidade Federal de São Paulo; com estudos sobre epilepsia e neurologia experimental
12- Marco Antonio Zago, médico, diretor da Fundação Hemocentro de Ribeirão Preto, professor da USP e membro da Academia Brasileira de Ciências
13- Moisés Goldbaum, médico, professor do departamento de Medicina Preventiva da USP
14- Patrícia Helena Lucas Pranke, farmacêutica, professora da Universidade Federal do Rio Grande do Sul e da PUC-RS, além de presidente do Instituto de Pesquisa com Célula-Tronco
15- Radovan Borojevic, biólogo, professor titular da Universidade Federal do Rio de Janeiro
16- Tarcisio Eloy Pessoa de Barros Filho, médico, chefe do Departamento de Ortopedia e Traumatologia da USP
17- Débora Diniz, antropóloga, diretora-executiva da ONG Instituto de Bioética, Direitos Humanos e Gênero (Anis) e professora da Universidade de Brasília (UnB)
18 - Júlio César Voltarelli, professor titular do Departamento de Clínica Médica da FMRP-USP, coordenador da Divisão de Imunologia Clínica, do Laboratório de Imunogenética (HLA) e da Unidade de Transplante de Medula Óssea do HCFMREP-USP
Convidados pela PGR:
1- Alice Teixeira Ferreira, professora associada da Unifesp
2- Cláudia Batista, professora da UFRJ
3- Elizabeth Kipman Cerqueira, médica ginecologista, coordenadora do Centro de Bioética do Hospital São Francisco de Jacareí (SP)
4- Lilian Piñero Eça, pesquisadora em biologia molecular, integrante do Instituto de Pesquisa com Células-Tronco (IPCTRON)
5- Herbert Praxedes, professor da Faculdade de Medicina da UFF (RJ)
6- Antonio José Eça, diretor de Recursos Humanos do CAS (Células Tronco Centro de Atualização)
7- Lenise Aparecida Martins Garcia, professora-adjunta do Departamento de Biologia Celular da Universidade de Brasília
8- Marcelo Paulo Vaccari Mazzetti, vice-presidente do Instituto de Pesquisa de Células-Tronco
9- Dalton Luiz de Paula Ramos, livre-docente pela Universidade de São Paulo, Professor de Bioética da USP e membro do Núcleo Interdisciplinar de Biotética da UNIFESP.
10- Dernival da Silva Brandão, especialista em Ginecologia e membro Emérito da Academia Fluminense de Medicina.
11 - Rogério Pazetti, graduado em Biologia pela Universidade MACKENZIE e Doutorado em Ciências pela Faculdade de Medicina da USP.
Convidado pela Confederação Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB):
1 - Rodolfo Acatauassú Nunes, Mestre e Doutor em cirurgia geral pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, Livre docente em cirurgia geral torácica pela Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro
Convidados pela Presidência da República:
1 - Lucia Braga, presidente e diretora-executiva da Rede Sarah
2 - Móisés Goldbaum, professor do Departamento de Medicina Preventiva da Faculdade de Medicina da USP
3 - Patrícia Helena Lucas Pranke, diretora presidente do Instituto de Pesquisa com Célula Tronco e Diretora do Banco de Sangue Cordão Umbilical do Ministério da Saúde
4 - Ricardo Ribeiro dos Santos, foi professor titular da FMRP/USP. Atualmente é pesquisador titular da Fundação Oswaldo Cruz
20/04/2007 - 09:15 - Ministra Ellen abre audiência pública no STF
A presidente do Supremo Tribunal Federal, ministra Ellen Gracie, abre neste momento a primeira audiência pública realizada no STF, juntamente com o relator da Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) 3510, ministro Carlos Ayres Britto. A ação, ajuizada pela Procuradoria Geral da República, contesta dispositivos da Lei de Biossegurança - tema da audiência.
Em instantes, mais detalhes.

A presidente do STF, ministra Ellen Gracie, abre a primeira audiência pública ADI 3510, Lei de Biosegurança. (cópia em alta resolução)
20/04/2007 - 09:40 - Presidente do STF abre audiência pública e agradece comunidade científica pela participação no evento
Teve início no Supremo Tribunal Federal (STF) a primeira audiência pública realizada para munir os ministros de informações para julgarem uma ação. Trata-se da Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) 3510 que contesta o uso de células tronco em pesquisas científicas, com base na Lei de Biossegurança (Lei nº 11.105/05).
A ministra Ellen Gracie, presidente do STF, fez a abertura do encontro elogiando o ministro Carlos Ayres Britto, de quem partiu a iniciativa para a realização da audiência. Agradeceu a comunidade científica que aceitou trazer os conhecimentos acumulados ao longo do tempo.
A ministra ressaltou que o ato de julgar é um ato de humildade e por isso o STF decidiu ouvir os especialistas. “O STF se abre para a comunidade científica para se preparar para o julgamento”, disse. O conteúdo da audiência pública será todo registrado e entregue aos ministros do STF para que analisem com profundidade as colocações dos estudiosos antes da análise do mérito da questão pelo Plenário.
Ao dar as boas vindas aos palestrantes, o ministro Ayres Britto afirmou que os ministros “estão em busca de um conceito jurisdicional para o vocábulo vida”. Ressaltou que o tema é tão complicado quanto relevante, por isso a importância da audiência pública.
Os palestrantes estão divididos em dois blocos: os que são a favor de dispositivos da Lei de Biossegurança e os que se posicionam contra. Pela manhã, cada bloco terá uma hora e meia para fazer as exposições, por ordem de sorteio. À tarde serão duas horas para cada bloco.
CM/EH

A ministra Ellen Gracie, presidente do STF, agradeceu a comunidade científica na abertura. (cópia em alta resolução)
20/04/2007 - 10:00 - Especialistas defendem utilização de células-tronco em pesquisas
Mayana Zatz, geneticista, professora-titular da Universidade de São Paulo e presidente da Associação Brasileira de Distrofia Muscular; Patrícia Helena Lucas Pranke, farmacêutica, professora da Universidade Federal do Rio Grande do Sul e da PUC-RS, além de presidente do Instituto de Pesquisa com Célula-Tronco; e Lúcia Willadino Braga, PhD, neurocientista e pesquisadora chefe da Rede Sarah de Hospitais de Reabilitação. Essas foram as primeiras especialistas a se apresentarem na audiência pública no STF, colocando-se em defesa da Lei de Biossegurança.
Em instantes, mais detalhes.

Mayana Zatz, geneticista, professora-titular da Universidade de São Paulo e presidente da Associação Brasileira de Distrofia Muscular. (cópia em alta resolução)
20/04/2007 - 11:05 - Encerrada primeira rodada de apresentações
O ministro Carlos Ayres Britto encerrou a primeira rodada de apresentações na audiência pública, com palestras de especialistas do Bloco 2 , que defendem dispositivos da Lei de Biossegurança. A partir de agora, falam integrantes do Bloco 1, que defendem a inconstitucionalidade de dispositivos da lei.
Carlos Britto ressaltou o clima de respeito em que transcorreram as primeiras palestras. "O certo é isso. Não vai haver contraditório, não vai haver confronto", afirmou o relator da ADI 3510, ação que é o tema da audiência. O ministro afirmou que o evento homenageia o pluralismo, "que é um dos conteúdos mais importantes da democracia, que muito concorrerá para legitimar a decisão que o Supremo Tribunal Federal proferirá, eu espero, ainda no curso deste semestre", afirmou.
"A mídia brasileira vem acompanhando com interesse esse grande tema, voltando-se para a cobertura da audiência, a comprovar o acerto da nossa decisão de convocar uma audiência pública para um tema que repercute de modo tão significativo no âmbito das diversas ciências biológicas e médicas, e da qualidade de vida de toda a população, seja em uma direção, seja em outra", disse o relator.

O ministro Carlos Ayres Britto encerra a primeira rodada de apresentações na audiência pública. (cópia em alta resolução)
20/04/2007 - 11:20 - Mayana Zatz afirma: pesquisa com célula-tronco embrionária é única chance de cura para doenças degenerativas
A professora de genética da Universidade de São Paulo (USP) Mayana Zatz é considerada uma das maiores autoridades da área no Brasil, sendo pioneira no estudo de doenças neuromusculares. Pós-doutora em biologia genética pela USP, ela preside a Associação Brasileira de Distrofia Muscular e coordena o Centro de Estudos do Genoma Humano.
Segundo Mayana, a possibilidade de serem desenvolvidas pesquisas com células-tronco de embriões definirá, no futuro, a existência ou não de tratamento para inúmeras doenças degenerativas que atingem a população. “São doenças muito graves, muitas letais, e a população tem nessas pesquisas a única esperança de um futuro tratamento.”
Mayana ressaltou ainda que uma célula-tronco embrionária só poderá se tornar um feto por meio da intervenção humana, já que ela tem de ser inserida no útero para tanto. Retoricamente ela questionou o que seria eticamente mais correto: “Preservar um embrião congelado, mesmo sabendo que a probabilidade de ele gerar um ser humano é praticamente zero, ou doá-lo para pesquisas que poderão resultar em futuros tratamentos?”.
“Toda célula é vida, um coração a ser transplantado é vivo, mas não é um ser humano. Estamos defendendo que, da mesma maneira que um indivíduo em morte cerebral doa órgãos, um embrião congelado possa doar suas células”, disse.
De acordo com Mayana, há mais de 7 mil doenças genéticas degenerativas, que atingem mais de 5 milhões crianças nascidas de pais normais no Brasil. Ainda segundo ela, no chamado “primeiro mundo”, um terço das internações em hospitais pediátricos são causadas por doenças degenerativas.
RR/EH
20/04/2007 - 11:27 - Professora da UFRJ fala sobre a autonomia do embrião humano
A segunda palestrante pelo bloco composto por pessoas que são contra o uso de células-tronco inicia sua apresentação. É a professora da Universidade Federal do Rio de janeiro (UFRJ), Cláudia Maria de Castro Batista. Sua exposição trata da autonomia do embrião humano. Para ela, a vida humana é um processo contínuo, coordenado e progressivo que começa a partir da fecundação do óvulo pelo espermatozóide.
20/04/2007 - 11:55 - Palestrante questiona se uso de células embrionárias são necessárias para a pesquisa
Professora da Universidade de São Paulo (USP), Alice Teixeira Ferreira começa sua palestra levantando a questão se é realmente indispensável a utilização da célula-tronco embrionária em pesquisas. Ela garante que o bloco do qual faz parte é a favor da pessoa humana. A professora coordena estudos pré-clínicos com células-tronco adultas.
20/04/2007 - 12:13 - Cirurgião fala sobre êxito do uso de célula tronco adulta
O vice-presidente do Instituto de Pesquisa de Células Tronco, médico cirurgião Marcelo Paulo Vaccari Mazzetti fala agora sobre o êxito da aplicabilidade das células tronco adulta nas várias especialidades médicas.
A palestra dá continuidade à primeira rodada de apresentações do bloco 1, que defende a inconstitucionalidade de dispositivos da Lei de Biossegurança.
20/04/2007 - 12:36 - Ministro encerra apresentações do período da manhã
O ministro Carlos Ayres Britto acaba de encerrar a primeira rodada de palestras na audiência pública sobre a Lei de Biossegurança, que tem dispositivos questionados na Ação Direta de Inconstitucionalidade 3510. As exposições serão retomadas às 15h, com encerramento previsto para as 19h.
20/04/2007 - 12:55 - Vida humana começa na fecundação, defende professora da UnB
Primeira palestrante do bloco composto por pessoas que são contra pesquisas com células-tronco embrionárias, Lenise Aparecida Martins Garcia falou sobre a autonomia do embrião humano e defendeu a tese de que a vida humana começa na fecundação.
Esse é exatamente o argumento que motivou o ajuizamento da Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI 3510) contra dispositivos da Lei de Biossegurança, proposta em 2005 pelo então procurador-geral da República, Claudio Fonteles.
Os dispositivos questionados permitem o uso de células-tronco de embriões humanos produzidos por fertilização in vitro e não utilizados, desde que sejam inviáveis ou congelados há mais de três anos e com o consentimento dos genitores. Na ADI, Fonteles argumenta que o uso dessas células fere a garantia constitucional de inviolabilidade do direito à vida (artigo 5º da Constituição Federal).
Lenise concorda com o argumento de Fonteles. Segundo ela, todo ser vivo tem fases diferentes durante o seu ciclo de vida. Como exemplo, ela utilizou o desenvolvimento da lagarta e da borboleta, que são um mesmo animal em fases diferentes de um mesmo ciclo de vida.
Para Lenise, o mesmo ocorre com o ser humano. “O indivíduo não precisa começar a manifestar sua sabedoria para ser considerado humano. O embrião humano já é da espécie homo sapiens mesmo que não possa ainda aprender”, afirmou.
RR/EH
20/04/2007 - 13:45 - Embrião humano dialoga com a mãe, diz especialista em biologia molecular
A especialista em biologia molecular Lílian Piñero Eça afirmou que duas a três horas após a fecundação, o embrião humano já se comunica com sua mãe. Ela foi a terceira expositora do grupo a favor da Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) ajuizada contra a Lei de Biossegurança.
De acordo com Lílian, que estuda sinais de células de embriões no útero (por meio de moléculas marcadas), pelo menos 100 neurotransmissores são emitidos pelo embrião para os 75 trilhões de células existentes no corpo da gestante, que começa a sofrer mudanças hormonais.
Segundo a pesquisadora, essa é a forma de o embrião “falar” para o corpo da mãe se preparar para a gravidez. “A mãe apresenta uma série de manifestações para ficar em repouso para receber o futuro bebê, como ficar com sono, por exemplo”, afirma a pesquisadora.
Lílian disse também que se o embrião for retirado do corpo da mãe de forma abrupta, ela sofre uma espécie de “blackout” que aumenta a propensão para depressão e suicídio.
RR/EH
20/04/2007 - 14:07 - Autor da ADI contra a Lei da Biossegurança, Fonteles fala sobre direito à vida
O subprocurador geral da República Claudio Fonteles, autor da Ação Direta de Inconstitucionalidade no STF contra a utilização de células tronco de embriões humanos em pesquisas e terapias, acredita que a vida humana começa na fecundação. Segundo Fonteles, a proposição da ação no Supremo tem um objetivo básico: “garantir o direito à vida, que é inviolável, segundo a Constituição”.
O subprocurador acredita que a definição sobre o início da vida é algo que deva ser discutido. “Dizer que o direito à vida é inviolável e parar, não tem sentido. Porque a pergunta necessária é: então, quando começa a vida?”. A partir daí eu propus esse debate ao Supremo Tribunal Federal. Propus, inclusive, que fosse feita essa audiência pública com os cientistas para provar que o direito não se basta a si mesmo”.
Fonteles ainda acrescentou que o útero é apenas um ninho e que o embrião já tem vida a partir da fecundação, pois ele se auto-define e se auto-dinamiza. “Não precisamos usar esses embriões. As células tronco adultas podem ser utilizadas com excelentes resultados para a ciência”.
“Eu defendo a vida humana e ela começa com a fecundação, isto é fundamental. Minha luta é pela vida humana. Vamos prosseguir com o que já é certo e não com o que ainda está no escuro”, concluiu.
20/04/2007 - 14:10 - Steven Rehen ressalta a importância das pesquisas com células-tronco embrionárias
A pesquisa com células-tronco embrionárias é a única possibilidade de se chegar à sua plena utilização terapêutica. É assim que pensa o presidente da Sociedade Brasileira de Neurociências e chefe do laboratório de células-tronco embrionárias do Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade Federal do Rio de Janeiro, Steven Rehen. Ele trabalha com células-tronco embrionárias humanas desde 2006.
Em sua apresentação durante a audiência pública sobre Biossegurança no STF, Rehen procurou demonstrar as diferenças entre dois tipos de células-tronco: as embrionárias ou pluripotentes, que são derivadas de embriões com cinco ou sete dias, e que são capazes de gerar todas as outras células do corpo; e as adultas ou multipotentes, capazes de se diferenciar em tipos restritos, e que são derivadas de vários tecidos da medula óssea, fígado, polpa de dente e do cordão umbilical.
O cientista salientou ser importante lembrar que essas células embrionárias jamais terão contato com o útero materno. Segundo o cientista, elas são produzidas ‘in vitro’, excedentes das clínicas de fertilização.
Como exemplo da importância das células pluripotentes, Rehen demonstrou, com o auxílio de imagens, que as células-tronco embrionárias têm potencial para se transformar em neurônios, o que não é possível para as células chamadas adultas. Essas células, implantadas no cérebro, podem passar a fazer parte da rede neural do cérebro.
Além disso, o cientista disse que a pesquisa com células-tronco embrionárias é importante porque ela nos possibilita entender como se formam nossos órgãos e a origem de várias doenças, como câncer, Parker e Alzheimer.
Steven Rehen finalizou sua palestra ressaltando que existe ainda um longo caminho até a utilização clínica das células-tronco embrionárias, como foi no caso das adultas. E que é necessário dar mais tempo para as pesquisas. “Mas é importante ter em mente que, com a pesquisa, existe a possibilidade de tratamento. Sem a pesquisa, a única certeza que teremos é que não haverá tratamento”, concluiu.
MB/RR
20/04/2007 - 14:20 - Ministro Carlos Ayres Britto concede entrevista a jornalistas após primeira rodada de palestras
“Um grande passo foi dado na história do Supremo Tribunal Federal (STF)”, considerou o ministro Carlos Ayres Britto, de quem partiu a iniciativa para a realização da audiência. Ele é o relator da Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) 3510, que contesta o uso de células tronco em pesquisas científicas, com base na Lei de Biossegurança (Lei nº 11.105/05).
O ministro afirmou que, do ponto de vista técnico, não existe na Constituição um conceito claro de quando começa a vida. Por isso, segundo ele, a partir do subsídio oferecido pela comunidade científica, Ayres Britto afirmou que os ministros do STF poderão formular “um conceito operacional de vida, do início da vida, da própria dignidade da pessoa humana para tornar a Constituição eficaz”.
Do ponto de vista democrático, o relator da ADI lembrou que a audiência é um passo pioneiro dado pelo Supremo. Com as palestras de hoje, o ministro afirmou que o Tribunal “prestigia a sociedade civil mais de perto por meio desse setor organizado da comunidade médico-biológica”.
“Democracia é isso. É tirar o povo da platéia e colocá-lo no palco das decisões que lhe digam respeito. É fazer do mero espectador um ator ou um autor do seu próprio destino”, ressaltou. O ministro informou aos jornalistas que está fazendo anotações detalhadas sobre o tema. “Vou receber um material minucioso e espero até pelo menos o final de junho já elaborar o meu relatório”, revelou.
No final da entrevista, o ministro Carlos Ayres Britto concluiu dizendo que “esse é um tema multidisciplinar e todas essas contribuições obtidas a partir de explanações tão claras, tão precedidas de apurado estudo, todas elas valerão, sim, para a elaboração do relatório e a formulação do voto”.
EC/EH

Ministro Carlos Ayres Britto concede entrevista a jornalistas. (Cópia em alta resolução)
20/04/2007 - 15:07 - Recomeça audiência pública no STF
O ministro Carlos Ayres Britto, que preside a audiência pública na Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) 3510, acaba de reabrir os trabalhos para a segunda rodada de palestras. Os especialistas estão divididos em dois grupos. O bloco 1 defende a inconstitucionalidade de dispositivos da Lei de Biossegurança e o bloco 2 defende o uso de células tronco embrionárias em pesquisas. Cada grupo terá 2 horas para as apresentações.
As palestras começam com os especialistas indicados pela Procuradoria Geral da República e pela Confederação Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB).
Em instantes, mais detalhes.
20/04/2007 - 15:30 - Indicados pela Procuradoria Geral da República dão seqüência à audiência pública
Com o término, há pouco, da apresentação de Antonio José Eça, médico psiquiatra forense, diretor de Recursos Humanos do CAS-Células Tronco Centro de Atualização, as palestras na audiência pública prosseguem com a dra. Elizabeth Kipman Cerqueira, médica ginecologista, coordenadora do Centro de Bioética do Hospital São Francisco, de Jacareí (SP). Perita em sexualidade humana e especialista em logoterapia, a médica fala sobre o ser humano em gestação.
20/04/2007 - 15:49 - Médico legista afirma que não existe relação entre morte encefálica e o início da vida
Para o diretor de recursos humanos do CAS (Células Tronco Centro de Atualização), Antônio José Eça, “não há relação científica entre morte encefálica e inicio da vida”. Docente de medicina legal, ele iniciou sua participação na audiência pública afirmando que, atualmente, a ciência define a morte como um processo, que passa pelos estágio do coma, a ausência de reflexos, a ausência de estímulos, o fim da respiração e, por fim, o silêncio encefalográfico por mais de seis horas. Segundo ele, só após esse processo é que se pode garantir que uma pessoa está morta.
Assim, prosseguiu o médico-legista, a definição de morte se traduz em um processo, que tem um encaminhamento de coisas que o acompanham. Apesar de se reconhecer que o fim da atividade encefálica é o momento exato da morte, para Eça “a morte é, na verdade, um processo”.
Da mesma forma é o início da vida, disse ele. “A simples existência do tubo neural não é sinal do início da vida. Esse é também um estágio do processo que dá inicio à vida”. Para o palestrante, desde o momento da fecundação começa o processo da vida.
Para o legista, se a utilização das células tronco adultas está dando certo, ele questiona por que não permanecer com seu uso. Ele lembrou o uso de células embrionárias causa rejeição humana, além do perigo de câncer.
Antônio Eça resumiu seu pensamento: “assim como a morte é um verdadeiro processo, e não um momento, a vida também é um processo que se inicia no momento da fecundação”. Ele finalizou dizendo acreditar, mesmo que muitos digam o contrário, que existe, no meio científico, consenso sobre o fato da fecundação ser o verdadeiro momento do início da vida.
MB/EH
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