10 de Setembro de 2008 - 17h54 - Última modificação em 11 de Setembro de 2008 - 14h28
BC deveria preocupar-se mais com expansão do crédito do que com juros, diz economista
Wellton Máximo
Repórter da Agência Brasil
Brasília - Em tempos de queda no preço dos alimentos, existe um exagero por parte do Banco Central no aumento dos juros. A crítica é do economista e professor da Fundação Getulio Vargas Yoshiaki Nakano.
Segundo ele, as autoridades monetárias deveriam se preocupar mais em conter a expansão do crédito do que com a alta dos juros.
“O nosso Banco Central é um dos poucos no mundo que está reagindo dessa forma a uma inflação que veio de fora. Agora, estamos assistindo a uma queda na inflação dos alimentos e a inflação convergiria para a meta [de 4,5%, com dois pontos percentuais de tolerância] sem a necessidade de elevar os juros”, afirmou Nakano, ex-secretário da Fazenda do Estado de São Paulo.
Para o economista, a expansão do crédito, que está crescendo acima do Produto Interno Bruto (PIB), deveria merecer mais atenção do BC do que o rigor com a meta de inflação.
“Isso pode dar problema lá para a frente, porque uma expansão acelerada do crédito costuma gerar uma crise de inadimplência no futuro”, apontou.
Hoje, o Comitê de Política Monetária do BC anunciará a nova taxa Selic, que indica os juros básicos da economia e atualmente está em 13% ao ano.
Em relação ao aumento de 6,1% no Produto Interno Bruto (PIB), divulgado hoje pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Nakano disse que o Brasil está experimentando um novo padrão de crescimento.
“Toda vez que a economia brasileira cresceu rápido, foi pela ampliação do consumo de massa. Agora, estamos gerando emprego, aumentando a massa de salários e incorporando novos segmentos da sociedade ao mercado”, declarou.
Ele sugeriu que o Estado brasileiro melhore a gestão, reduza a carga tributária e gaste menos com a manutenção da máquina pública para promover o desenvolvimento do país.
Para Nakano, parte do atraso no desenvolvimento do Brasil pode ser atribuída à sobrevivência, nos tempos atuais, de instituições políticas dos tempos coloniais.
“Por causa da persistência de certas instituições e práticas, temos até hoje um Estado centralizador, que extrai tributos das regiões ricas e transfere essa renda para as elites das regiões mais pobres”, disse.
O economista defendeu uma série de reformas na administração pública para que o Estado brasileiro, em vez de ser visto como obstáculo pelo setor produtivo, torne-se indutor do desenvolvimento.
Em primeiro lugar, segundo ele, o governo deveria reduzir a carga de impostos e, ao mesmo tempo, cortar os gastos correntes – despesas com a manutenção do setor público.
Com esse procedimento, apontou Nakano, o governo poderá estimular a criação de empregos e investir mais, sem deixar de lado, no entanto, o compromisso com o equilíbrio das contas públicas. “O ajuste precisa ser feito pelo lado das despesas, não das receitas”, apontou.
Nakano participou do seminário comemorativo dos 200 anos do Ministério da Fazenda.
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