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Até 2015, uma parcela considerável de professores no Brasil vai se aposentar. Será necessário ao país contratar 396 mil novos profissionais de educação nos próximos 10 anos se quiser atingir a universalização da educação primária, da 1ª a 4ª séries.
A recomendação está no Relatório Mundial sobre a Profissão Docente, da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco). O documento considera a profissão do docente um eixo estratégico na promoção de uma educação de qualidade para todos.
Recém-concluída pelo Instituto de Estatística da Unesco no Canadá, a publicação mundial, divulgada nesta terça (25/04) em Nova York, traz um panorama dos avanços e atrasos no que se refere a situação dos professores no mundo.
De acordo com o relatório, na América Latina e Caribe, o tamanho da força docente ideal será reduzido em função do grande declínio na população em idade escolar. Como conseqüência, o número de professores para a universalização da educação primária estará reduzido a 146 mil em 10 anos.
Tal fato oferece oportunidade a países latino-americanos como o Brasil de melhorar a qualidade da educação por meio de investimento de mais recursos por aluno e por professor.
A falta de investimento na formação do educador é o maior entrave para a valorização educação básica no país, de acordo com o professor da Faculdade de Educação da Universidade de Brasília (UnB), Erasto Fortes.
O professor é especialista na área de política de gestão em educação, Fortes lembra que a partir da década de 1960 começou a expansão do ensino no país, mas a carreira profissional não acompanhou o mesmo progresso. “Não adianta universalizar o ensino sem qualidade”, afirma.
Caso raro
Apesar do quadro pessimista, Fortes ressalta que os professores de 1ª a 4ª séries do ensino fundamental na rede pública de ensino do Distrito Federal são um caso à parte. “Não tenho conhecimento de profissionais sem formação superior”, acredita. No resto do país a realidade é outra.
De acordo com o relatório da Unesco, 92% dos professores de 1ª a 4ª séries do Brasil não cursaram nível superior. Para Fortes, o problema da atual política de formação continuada de professores está relacionado, principalmente, ao descaso com a gestão da educação nos estados e municípios.
O coordenador editorial e assessor para a Área de Educação da Unesco, Célio Cunha, ressalta que o maior desafio para a educação no Brasil agora é investir no professor. “Nenhuma reforma terá êxito sem condições de resolver os problemas de formação e salarial do professor”, diz. Segundo Cunha, não adianta ter 97% das crianças em idade de freqüentar a escola matriculadas no ensino fundamental, se não qualificar o professor.
O assessor da Unesco defende ser necessário a aprovação do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (Fundeb) pelo Congresso Nacional para haver avanços, principalmente na qualificação do professor. “O Brasil tem um estoque de professores fora da sala de aula. Os salários não atraem e eles migram para outras profissões”, diz.
O relatório da Unesco faz parte das ações da organização para comemorar, de 24 a 30 de abril, a Semana da Educação para Todos que este ano tem como prioridade o educador, com o tema Toda Criança Precisa de um Professor.
A campanha realizada anualmente lembra governos e sociedade civil sobre os compromissos de melhoria do ensino assumidos em Dacar, em 2000, por ocasião do Fórum Mundial de Educação.
Correioweb
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