segunda-feira, abril 17, 2006

Jundiaienses falam sobre a perda do "mestre" Miguel Reale








Hanaí Costa

O jurista Miguel Reale, 95, morreu na madrugada de ontem em São Paulo após sofrer um enfarte em sua residência, na região dos Jardins, na zona sul da cidade. O velório foi realizado na casa da família e o enterro foi no Cemitério São Paulo, na zona oeste.

Paulista de São Bento da Sapucaí (SP), Miguel Reale nasceu no dia 6 de novembro de 1910. Conhecido como o "pai" do novo Código Civil brasileiro, foi secretário de Justiça de São Paulo por duas vezes -- nos anos 40 e 60 -- e também reitor da USP (Universidade de São Paulo) em 1949 e 1969.

O desembargador José Renato Nalini, também colaborador do Jornal de Jundiaí Regional, era confrade de Reale na Academia Paulista de Letras e o via semanalmente. "O maior filósofo do Direito, não só do nosso país", define. "Era um homem completo em produção intelectual, uma força irreparável. Tinha ainda uma força incrível no trabalho - afinal morreu trabalhando, aos 95 anos", comenta. Nalini salienta ainda que Reale foi muito cristão. "Ele perdeu um filho e uma nora numa fatalidade. Criou os netos com heroísmo. Realmente uma perda irreparável", lamentou.

Gustavo Maryssael de Campos, Secretário de Negócios Jurídicos da prefeitura de Jundiaí, foi aluno de Reale na Universidade São Francisco. "Nós perdemos um símbolo. Era um dos melhores exemplos do advogado comprometido com as melhores idéias de Justiça. Ele, inegavelmente, era uma grandeza, com visão humanística ímpar", diz. Era um excelente filósofo também, na opinião de Campos, que foi presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) de Jundiaí por duas gestões. "Acima de tudo era um cidadão preocupado com a pátria", define. Campos lembrou ainda que Reale foi o mentor do novo Código Civil, reeditado em 2002.

Biografia - Formado em Direito pela USP, Reale também teve atuação destacada na área da Filosofia.
Em 1954, fundou a Sociedade Interamericana de Filosofia. Como escritor, publicou obras sobre Filosofia, Filosofia Jurídica, Teoria Geral do Direito, monografias e estudos sobre Direito Público e Privado.

Em 1998, o jurista recebeu o Prêmio Professor Emérito, uma iniciativa conjunta do Centro de Integração Empresa-Escola (Ciee) e do jornal O Estado de S.Paulo, do qual era articulista. O prêmio homenageia desde 1997, um profissional de destaque da área educacional. Miguel Reale era pai do também jurista Miguel Reale Júnior, ex-ministro do governo Fernando Henrique Cardoso.








Corpo de Miguel Reale é sepultado em São Paulo



Rodrigo Pereira



SÃO PAULO - Foi sepultado no final da tarde de desta sexta-feira o corpo do jurista Miguel Reale, que sofreu enfarte e faleceu aos 95 anos. O corpo foi velado na própria casa do jurista e seguiu, às 16 horas, para o cemitério São Paulo, zona Oeste da capital.

Mesmo ocorrendo no feriado o velório e sepultamento de Reale acabou reunindo diversas gerações do mundo jurídico, político e acadêmico - grande parte ex-alunos do jurista. Entre eles estiveram o governador de São Paulo, Cláudio Lembo (PFL), o ministro do STF, Enrique Ricardo Lewandowski, o senador Eduardo Suplicy (PT), o presidente do PMDB, deputado Michel Temer, o presidente da OAB paulista, Luis Flávio D´Urso, os ex-ministros da Comunicação, Luiz Carlos Mendonça de Barros, e das Relações Exteriores, Celso Lafer - ambos da gestão de Fernando Henrique Cardoso.

Reale foi lembrado nas cerimônias por sua postura humanista, extensa e importante obra jurídica, pela coordenação do Novo Código Civil, por sua paixão em dar aulas e constante produção intelectual, mesmo aos 95 anos.

Homenagens

Em Brasília, políticos e personalidades do mundo jurídico renderam suas últimas homenagens ao jurista e mestre Miguel Reale, destacando sua importância ímpar na história do pensamento jurídico e filosófico.

Para o ministro César Pelluzzo, do Supremo Tribunal Federal (STF), Reale é o maior jurista brasileiro de todos os tempos, uma referência internacional por sua obra e pensamento. "Reale era um homem de cultura extrema, um dos poucos filósofos e juristas do Brasil conhecidos no mundo. Sua morte representa uma perda significativa para o mundo jurídico", afirmou Pelluzzo.

O presidente da Câmara dos Deputados, deputado Aldo Rebelo (PC do B-SP), também se somou aos elogios à singularidade do pensamento de Miguel Reale. "Ele representou a expressão mais elevada do pensamento jurídico nacional. A sua presença nas Letras jurídicas da nação equivale ao que representou Pontes de Miranda, em originalidade, erudição e preocupação com os destinos do Brasil", disse o parlamentar.

"O advogado, professor, escritor e jurisconsulto Miguel Reale entra para a História do Direito brasileiro como um de seus luminares. Honrou e marcou a advocacia brasileira como bem poucos, tornando-se referência de saber jurídico e de conduta moral, ao longo de mais de sete décadas de intensa atuação profissional", disse o presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Roberto Busato.








Presidente da OAB diz que Miguel Reale ainda ensinará muitos brasileiro


"Miguel Reale era um jurista de vanguarda, um crítico do seu tempo. Era profissional exemplar e um referência", disse Roberto Busato

São Paulo - Presidente da Ordem dos Advogados do Brasil, Roberto Busato, lamentou hoje a morte do jurista Miguel Reale, mas destacou que sua obra ainda ensinará muitos estudantes brasileira. "Miguel Reale deixa uma obra fantástica e tem muito a nos ensinar". afirmou em entrevista à Rádio Eldorado.

Para Busato, a obra dele deve ser vista como modelo por todos. "Miguel Reale era um jurista de vanguarda, um crítico do seu tempo. Era profissional exemplar e um referência".

Roberto Busato lembra que Miguel Reale lutou de forma intensa para a redemocratização do país e disse acreditar o filho Miguel Reale Júnior continuará o trabalho iniciado pelo pai.

Áudios



Nenhum comentário:

Postar um comentário

Anúncio AdSense