Fonte:
20.07.2006 [05h05]
Em pouco mais de duas horas de depoimento, o estudante Andreas Alfred von Richthofen acabou com as esperanças dos advogados de sua irmã, Suzane, de atenuar a acusação de participação na morte de seus pais, o casal Marísia e Manfred von Richthofen. Com respostas curtas, porém calmas e firmes, Andreas revelou ter tido o desejo de procurar uma delegacia para registrar um boletim de ocorrência contra a irmã.
A intenção teria surgido logo após Suzane ter sido solta, em junho do ano passado, quando começou a rondar a casa dele (onde mora com a avó materna e o tio). Disse que esse desejo cresceu no dia em que estava saindo para uma aula de direção e a viu passar na frente de casa. "Eu não sei qual é a verdade, mas dizem por aí que ela é psicopata. De uma pessoa assim, a gente pode esperar qualquer coisa."
Andreas, de 19 anos, que cursa o segundo ano de farmácia na Universidade de São Paulo (USP), abriu o segundo dia de julgamento dos acusados do assassinato de seus pais - além de Suzane, seu ex-namorado Daniel Cravinhos e o irmão Christian - dizendo que não confia mais na irmã, que fora coagido por ela para escrever um bilhete dizendo ser contrário à ação de exclusão dela da herança e que não acredita em seu arrependimento.
Quando sentou-se para ser ouvido, Andreas pediu a saída dos três réus da sala, alegando não se sentir bem na presença deles. O advogado de Suzane, Mauro Nacif, pediu-lhe que reconsiderasse a decisão, porque a irmã o amava e queria estar presente. "Não concordo. Se ela me ama, por que faz tudo isso comigo?"
Andreas disse que o bilhete em que diz estar com saudades da irmã foi escrito sob coação. Suzane, diz ele, ditou a mensagem para mostrar que ele era contra o processo de exclusão da herança. O bilhete, segundo o irmão, foi escrito no dia 22 de junho de 2003, na Penitenciária Feminina da Capital, onde Suzane estava detida."Ela me obrigou a escrever esse bilhete. Fez chantagem emocional, ditou as frases. Na época, eu não sabia o que sentia por ela."
O estudante afirmou que cedeu às pressões da irmã porque ela dizia que o tio Miguel (Abdalla) e a advogada Maria Aparecida Cardoso queriam que ela apodrecesse na cadeia. "E, assim, ela não teria dinheiro para pagar os senhores", respondeu a Nacif. Suzane, diz Andreas, mentiu quando disse que renunciaria à herança. Ele contou que a irmã tem criado uma série de empecilhos para emperrar o inventário.
Marísia e Manfred eram pais exigentes, o pai menos severo que a mãe, mas muito amorosos. Andreas contou que apenas uma vez viu Manfred agredir Suzane fisicamente. Foi no Dia das Mães do ano do crime, após o almoço. "Ela queria ir à casa de Daniel, meu pai não deixou. Ela o agrediu verbalmente e ele deu um tapa nela". Disse que, em seguida, o pai mandou a irmã para o quarto, mas ela escapou. Quando foi interrogada, Suzane disse que foi se consolar na casa de Daniel. Sobre a acusação de abuso sexual imputado ao pai por Daniel, Andreas negou. "Um absurdo. Uma grande besteira. Meu pai era muito mais digno do que muita gente aqui."
Andreas relembrou tudo o que fez no dia do crime. Contou que foi levado pela irmã e pelo namorado ao cibercafé Red Play. Ficou lá das 22h às 3h, enquanto o casal ia a um motel comemorar o aniversário de Suzane. Até aí, nenhuma divergência. As contradições aparecem quando Andreas diz que, quando a irmã foi buscá-lo, aparentava tranqüilidade, sem sinais de choro.
Ao ser interrogada anteontem, Suzane disse que depois da morte dos pais foi mesmo ao motel, para criar um álibi, mas que passou uma hora chorando copiosamente. Ao retornarem sozinhos para casa, Andreas disse que entrou na frente e que estranhou que a porta estivesse só encostada e parte da casa revirada. Tentou subir para o piso superior, mas foi impedido por Suzane, que o orientou a ficar fora. O advogado Alberto Zacarias Toron, contratado pelo tio de Andreas para auxiliar na acusação, pediu a Andreas que retratasse enfaticamente o comportamento de Suzane ao retornar à cena do crime. "Estava lúcida e consciente."
Suzane disse em seu interrogatório que a pistola 7.65 milímetros achada em seu ursinho, e exibida pelo Ministério Público (MP), era, na realidade de Andreas. Ele negou. Disse que a pistola fora levada por Daniel e que só ficou sabendo de seu paradeiro por indicação de Suzane. O estudante afirmou que, depois de presa, Suzane lhe disse para dar um sumiço na arma. Ele então enterrou a arma no quintal da casa dos pais. Mas, no dia seguinte, não sabe explicar como, o tio achou a pistola e a entregou ao MP. Questionado se tinha arma de fogo, Andreas respondeu: "Eu tinha uma espingarda de chumbinho. A gente atirava em latinha, passarinhos, essas coisas...."
Agência Estado
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