segunda-feira, setembro 17, 2007

Defensora do direito digital

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Defensora do direito digital

 

Ela tem apenas 31 anos, é advogada, foi a primeira mulher a montar um escritório jurídico com foco no direito digital no Brasil, está lançando um livro sobre o tema e ainda tem tempo para ser mãe. Patrícia Peck conta aqui como virou referência num mercado tão novo.

Aos 23 anos, quando muita gente ainda está meio perdida entrando no mercado de trabalho, Patrícia Peck já tinha claro qual seria o caminho a seguir. Formada em Direito pela USP e pós-graduada em Havard, ela vislumbrou que seguir os passos da tecnologia seria uma boa opção, até porque gostava de informática desde a adolescência.

 

Sua sensibilidade e perfil empreendedor lhe colocaram numa área que, lá por volta de 1997, 1998, ainda era pouco conhecida: a de direito digital. Foi com esta percepção que ela decidiu montar o primeiro escritório especializado no assunto no Brasil. “Quando voltei de minha especialização nos Estados Unidos, era fim dos anos 90, o Brasil entrava na era da internet e aproximávamos do Bug do Milênio. Decidi trabalhar com contratos de tecnologia, foi aí que criei meu escritório e comecei a ‘caça’ aos clientes”.

 

Hoje, Patrícia comanda o maior escritório do setor com uma equipe de profissionais especializados, tem uma carteira de clientes invejável, como o Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), Senac e Governo Federal, está lançando o livro Direito Digital (ed. Saraiva), dá aulas, escreve para várias publicações e, pasmem, é casada e tem um lindo bebê com quatro meses.

 

RESISTÊNCIA AO NOVO

Há 20 anos, quando o microondas era coisa do futuro, Patrícia já fazia sua pipoca importada. Foi assim com câmeras de vídeo, videogames, computadores e celulares. Filha de pais comissários de bordo, a advogada carioca, residente em São Paulo, aprendeu desde cedo a lidar com essa tecnologia que invade o mundo diariamente. E foi daí que surgiu sua paixão por informática.

 

Decidida a montar seu escritório antes de completar 25 anos, Patrícia teve que se desdobrar para conseguir credibilidade em uma profissão onde mais idade significa maior competência. “Não via isso como um problema, mas como um desafio”, diz segura de si, e completa: “A partir daí estudei mais, aprendi a expor minhas idéias, argumentar com os outros. Foi difícil, porque a sociedade desenhou o advogado competente como sendo um velhinho de óculos. Eu, além de ser mais nova e ter porte de menina, me sentia cada vez melhor e feliz ao ver as pessoas me elogiando e dizendo: Falta idade a você, mas sobra talento”.

 

E por falar em velhinho de óculos, Patrícia é, além de muito jovem, muito bonita, bem-humorada, paciente, organizada, extremamente dedicada à carreira e sabe que para ver os resultados é preciso investir no capital humano. “Montei e treinei uma equipe que independe de mim. Uma equipe campeã”, revela.

 

Para facilitar a administração dos negócios, ela não abre mão de todos os recursos tecnológicos. Portanto, em casa de ferreiro espeto é de ‘ferro’, sim senhor!.

Patrícia informatizou todo o escritório, usa palm, faz teleconferência e qualquer tarefa que possa ser realizada com essas ferramentas é feita com a maior naturalidade.

 

E-MAIL NO CAMINHO

Para entender melhor sobre a profissão de Patrícia Peck, é só traçar o caminho que um simples e-mail vai seguir. “A internet está disponível para todo mundo, e quase ninguém sabe dos problemas que o mau uso da rede pode causar, é aí que eu entro. Uma simples mensagem pode acabar em fraude, processos de difamação e cadeia”, explica, lembrando que isso mostra o quanto o universo corporativo está a todo tempo sob riscos digitais.

 

Os temas são inúmeros: privacidade, política de documentação digital, uso de internet por funcionários, monitoramento, compartilhamento de dados, propriedade intelectual e direitos autorais de conteúdos digitais, uso de imagem e fotos, e-commerce, responsabilidade editorial, proteção de marca e ativos digitais, downloads e pirataria, contratos de software, contratos de terceirização de TI, uso de novas tecnologias como VOIP, contratos e aspectos legais do Tele Trabalho do e-Learning, Educação Digital, e por aí vai.

 

“No direito digital, as maiores ‘testemunhas’ são máquinas, servidores e sistemas. Assim, a prova legal passa a ser o arquivo eletrônico, que recebe o status de documento original, e qualquer versão impressa passa a ser meramente uma cópia. Isso muda toda a forma de lidar com a guarda da documentação das empresas para uso futuro, principalmente em situações de discussão judicial”, explica.

 

JOVEM MAMÃE

Durante o bate-papo para esta matéria, a advogada Patrícia Peck estava com seu filho Rafael de quatro meses. Empolgada com a maternidade, ela garante que a vida pessoal ficou mais animada depois da chegada do primeiro filho. “Estou casada há quase quatro anos, sempre pensei em ser mãe. Desde o início, eu e meu marido brincávamos imaginando como iria sair nossa misturinha”.

 

Com uma gravidez saudável e tudo sob controle, Patrícia trabalhou até os nove meses. “Me divirto quando mostro fotos do Rafael aos meus clientes que nem sabiam que eu estava grávida”.

 

Casada com um fã, Patrícia conheceu o marido através de um artigo que escreveu em um site, onde deixou seu endereço de e-mail. “Marcamos um almoço e nos conhecemos, em oito meses nos casamos. Mais uma vez a internet ajudou minha vida. Meu marido também tem uma rotina de trabalho intensa”, conta, revelando que mesmo com tantas atribuições, ela tem jogo de cintura e encontra tempo até mesmo para preparar o almoço. “Tem uma coisa que não abro mão: dar o banho do Rafael pela manhã e pedir para a babá dormir um final de semana por mês em casa para eu dar uma saidinha e namorar”.

 

A mamãe coruja sabe da importância do leite materno na vida de Rafael e mais uma vez ela usa a tecnologia: comprou um tiraleite eletrônico e consegue encher inúmeras mamadeiras para não faltar o alimento do pimpolho. “Quero amamentar no mínimo até os seis meses” prioriza a advogada.

 

E, enquanto preparava um prato para o almoço, durante a entrevista, o celular de Patrícia tocou, era o marido dela avisando que não poderia vir. Por alguns segundos bateu uma tristeza seguida da frase: “Essa é nossa vida, somos jovens e estamos construindo nosso futuro e do Rafael”. Mas, de repente, a campainha tocou e com flores chegou o marido fazendo uma surpresa. Sinal que a matéria havia acabado.

 

Vida Executiva
Ed. 37 - Junho 2007

 

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Direitos Autorais Reservados
Publicado: TEXTO SUELLEN CESCHIN FOTO JOSÉ AMARAL / DIVULGAÇÃO


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