25 de Janeiro de 2009 - 11h05 - Última modificação em 25 de Janeiro de 2009 - 11h05
Efeitos da crise foram agravados por operações cambiais de empresas, avalia economista
Luciana Lima
Repórter da Agência Brasil
Brasília - O economista José Luís Oureiro defendeu que se as empresas brasileiras não estivessem trabalhando com operações em que se confia no dólar baixo, em relação ao real, o Brasil teria sofrido menos os efeitos da crise financeira internacional.
“A crise chegou com força e se as empresas brasileiras não estivessem trabalhando com operações que prescindiam do dólar baixo em relação ao real, essa crise seria muito mais suave para o Brasil”, disse o economista, professor da Universidade de Brasília (UnB) e membro do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social (CDES), órgão consultivo da Presidência da República.
Oureiro estima que as perdas acumuladas até agora, a partir do cheque do dólar, somam R$ 50 bilhões. “Não foram só a Aracruz e a Sadia que perderam, muitas outras empresas, em vários setores, ficaram na mesma situação, inclusive redes de farmácias”, destacou.
Em novembro do ano passado o presidente Luiz Inácio Lula da Silva chegou a dizer que as empresas Aracruz e Sadia perderam porque especularam. Diante disso, Lula descartou ajuda governamental às duas empresas.
O economista lembrou que as perdas das empresas gerou uma quebra de confiança, um ciclo que o governo ainda não conseguiu romper. “As perdas causaram um pânico entre os bancos, que reduziram drasticamente o crédito entre outubro e novembro. Foi o segundo choque. Depois, veio a redução da produção e das vendas, o que poderíamos chamar do terceiro momento dos efeitos da crise no Brasil”, explicou.
“O quarto momento é a perda do emprego, o fechamento dos postos de trabalho, que pode acarretar uma nova rodada de redução das vendas e da produção, causando o que chamamos de efeito multiplicador”, destacou.
Em dezembro de 2008, os números do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) do Ministério do Trabalho apontaram 650 demissões, mais que o dobro da média registrada para o mês nos últimos anos. O governo esperava que com a crise o número de demissões ficasse em aproximadamente 350 mil.
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