15 de Novembro de 2008 - 18h54 - Última modificação em 15 de Novembro de 2008 - 19h16
Crise financeira não atinge mercado imobiliário de Brasília, diz gerente da Caixa
Mariana Jungmann
Repórter da Agência Brasil
Marcello Casal Jr./ABrBrasília - A crise financeira não está afetando a oferta de crédito imobiliário, de acordo com o gerente regional da Caixa Econômica Federal (CEF) Marcelo Ferreira, que participou hoje (15) de um salão de oferta imobiliária no Centro de Convenções Ulysses Guimarães, no centro da capital.
Brasília - O diretor comercial da WImóveis Marcelo Ramos e o gerente comercial da Emarki Engenharia Jaran Fleury participam da 3ª edição do Salão WImóveis para a compra e venda de 10 mil imóveis - entre casas, apartamentos e lojas. A expectativa é movimentar entre R$ 60 milhões e R$ 100 milhões. Estão reunidas mais 100 empresas, entre construtoras, incorporadoras e imobiliárias
Segundo ele, não houve nenhuma mudança na concessão de crédito, tampouco nas taxas de juros cobradas pelo banco público que mais financia a habitação no Brasil.
“A principal função da Caixa Econômica é financiar o sistema habitacional e não há nenhuma mudança em sentido contrário. Temos o mesmo volume disponível para financiamento – tanto para consumidor final quanto para os empreendedores – e não mudamos a taxa de juros.”
Segundo ele, não há perigo de ocorrer no Brasil o mesmo que houve nos Estados Unidos (crise imobiliária que se agravou em setembro deste ano), quando os bancos financiaram a casa própria de pessoas que depois não tiveram como pagar pelo empréstimo.
“Nós temos sistemas completamente diferentes. No Brasil o financiamento só é feito com garantias e o consumidor só tem como pegar um empréstimo que caiba na renda mensal dele. Não há perigo de acontecer no Brasil o mesmo que houve lá e originou a crise.”
Para o gerente comercial da WImóveis – portal que reúne grande parte das imobiliárias de Brasília e que organiza o salão de imóveis – Marcelo Ramos, também não há crise. A expectativa do organizador é que sejam negociados R$ 50 milhões durante os três dias de feira e mais R$ 150 milhões em pós-venda até dezembro. Ao todo, 70% dos imóveis a serem negociados na capital estão disponíveis no salão. De acordo com Ramos, o que define preço e quantidade de negócios é a “lei da oferta e da procura”.
“Em Brasília existe uma grande procura por imóveis e pouquíssima oferta, pois grande parte das terras ainda são da União. Isso faz com que os preços sempre sejam altos”, alega Ramos, que lembra ainda que o déficit habitacional na capital federal gira em torno de 120 mil habitações e em todo o Brasil chega a 8 milhões de moradias.
“A pessoa que compra hoje um apartamento de dois quartos vai dizer que pagou caro. Daqui a dois anos vai dizer que acredita ter feito um bom negócio. Daqui a quatro anos vai dizer que fez o melhor negócio da vida dela”, explica Ramos.
O alto preço a que Ramos se refere pode significar até R$ 10 mil o metro quadrado nas áreas mais nobres e escassas da capital. No Plano Piloto, um apartamento de dois quartos, de 70 metros quadrados custa entre R$ 400 mil e R$ 500 mil, segundo o gerente da WImóveis. E isso ocorre em outras capitais também, como Manaus, por exemplo.
“Aqui é mais forte por causa dos funcionários públicos e dos concurseiros. Cada concurso público joga no mercado, da noite para o dia, pessoas ganhando de R$ 1,5 mil a R$ 20 mil por mês”, afirma.
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