28 de Janeiro de 2009 - 15h04 - Última modificação em 28 de Janeiro de 2009 - 15h12
Protesto lembra cinco anos da Chacina de Unaí e pede julgamento dos acusados
Lisiane Wandscheer
Repórter da Agência Brasil
Marcello Casal Jr./AbrBrasília - Vestidos de preto, dezenas de manifestantes protestam hoje (28) na Praça dos Três Poderes, em frente ao Supremo Tribunal Federal (STF), contra a impunidade dos acusados pela Chacina de Unaí (MG), que está completando cinco anos.
Brasilia - Auditores fiscais do trabalho fazem manifestação em frente ao Supremo Tribunal Federal em protesto contra os cinco anos de impunidade dos envolvidos no assassinato de auditores no município mineiro de Unaí
Até agora, nenhum dos sete acusados do assassinato de três auditores fiscais e de um motorista foi julgado.
Representantes do Sindicato Nacional dos Auditores Fiscais do Trabalho e da Associação dos Auditores Fiscais do Trabalho de Minas Gerais, além de viúvas e parentes dos auditores assassinados soltaram balões pretos, simbolizando o estado de luto em função morosidade no julgamento.
A chacina ocorreu no dia 28 de janeiro de 2004. Os auditores fiscais do trabalho Eratóstenes de Almeida Gonçalves, João Batista Soares Lage e Nelson José da Silva e o motorista Aílton Pereira de Oliveira foram mortos ao vistoriar fazendas na região rural de Unaí.
No mesmo ano, a Justiça Federal em Belo Horizonte decidiu que oito dos nove acusados iriam a júri popular, à exceção de Antério Mânica, prefeito reeleito de Unaí, que, por isso, tem direito a julgamento em foro especial.
Em 2005, o processo foi para o 1º Tribunal Regional Federal, em Brasília, e desde então foram desencadeados diversos recursos judiciais.
A viúva do auditor Nelson José da Silva, Elba Soares da Silva, de 45 anos, afirmou que todos os manifestantes estão em busca de justiça, para que possam ter descanso e paz. “Não podemos esquecer esse crime. Não foram só quatro mortos: o atentado foi contra o Estado e existem muitos municípios que não estão tendo fiscalização por medo de represálias.”
De acordo com o presidente da Associação dos Auditores Fiscais do Trabalho de Minas Gerais, José Augusto de Paula Freitas, os manifestantes querem também que o Estado brasileiro se posicione em defesa da sociedade e promova o julgamento dos acusados. Segundo ele, o clamor de justiça esbarra em sucessivas protelações e recursos judiciais.
“O esquecimento do crime pela opinião pública age a favor dos assassinos. Casos semelhantes, como o da irmã Dorothy [Dorothy Stang, missionária norte-americana assassinada em fevereiro de 2005 por causa de conflitos de terra em Anapu, no Pará], já foram julgados. Queremos a mesma agilidade. A morosidade nos preocupa e é agressiva”, afirmou Freitas.
Ele disse também que a situação de impunidade tem estimulado uma seqüência de atos de violência em outras regiões do país: “O fato serviu como senha para detonar novos casos de violência contra fiscais do trabalho, como aconteceu em Mato Grosso e em Belém do Pará. Infelizmente, o fator regulador da sociedade ainda são as autuações e as penalidades.”
O vice-presidente do Sindicato Nacional dos Auditores Fiscais do Trabalho, Carlos Alberto Teixeira Nunes, lembrou que, em 2004, a Justiça foi rápida, mas que, nos quatro anos seguintes, instalou-se uma guerra de recursos, e a ação não andou. “Sabemos que, se os recursos não forem aceitos pelo STJ [Superior Tribunal de Justiça], certamente irão para o Supremo Tribunal Federal. Por isso, estamos aqui para pedir por justiça.”
O ato de protesto foi programado para durar o dia inteiro. Às 16h30, os manifestantes serão recebidos pelo presidente do STF, ministro Gilmar Mendes.
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