27 de Janeiro de 2009 - 17h38 - Última modificação em 27 de Janeiro de 2009 - 17h38
Indústria manufatureira e construção civil devem ser mais afetadas com a crise, segundo OIT
Mariana Jungmann
Repórter da Agência Brasil
Valter Campanato/ABrBrasília - A indústria manufatureira de exportação, como a de roupas e calçados, e a construção civil devem ser os setores da economia brasileira que mais vão sentir os efeitos da crise econômica mundial e que mais vão fechar postos de trabalho. Essa é a avaliação da diretora da Organização Internacional do Trabalho (OIT) no Brasil, Laís Abramo.
Brasília - A diretora da Organização Internacional do Trabalho (OIT) no Brasil, Laís Abramo, divulga o relatório anual sobre emprego urbano na América Latina e no Caribe
Segundo ela, o perfil dos trabalhadores a serem demitidos vai variar de acordo com a política adotada pela empresa para contornar o mau momento.
“Mas nós temos uma preocupação com as mulheres, os jovens e os trabalhadores negros. Nós sabemos que eles tendem a ser os primeiros a perderem os empregos e os últimos a conseguirem recuperá-los”, avaliou Laís.
Em toda a América Latina outros setores como o turismo, a indústria automobilística e áreas que dependem dos preços das matérias primas no mercado externo também devem ser afetados pela crise mundial.
No Brasil, os efeitos já começaram a aparecer, de acordo com dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), do Ministério do Trabalho e Emprego, cerca de 600 mil postos de trabalho foram fechados em dezembro. Apesar de este ser um período habitualmente propenso às demissões, no qual as indústrias fecham postos abertos exclusivamente para a preparação dos estoques de Natal, o número foi quase o dobro do registrado em 2007, quando foram fechados 319 mil postos.
A OIT não tem previsões sobre em quanto poderá ficar o nível de desemprego no Brasil, que atualmente é de 8%. Mas a organização prevê que o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro deverá desacelerar para 2,1%, o que poderá fazer a quantidade de desocupados aumentar, segundo Laís.
“As políticas de enfrentamento da crise em cada país são um fator que tem que ser considerado. Elas também são determinantes sobre a maneira como o mercado de trabalho vai se comportar”, avalia Laís.
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