sexta-feira, março 23, 2012

Consultor Jurídico - "MP paulista não tem participado das grandes questões nacionais" - Notícias de Direito

Consultor Jurídico
Texto publicado quinta, dia 22 de março de 2012
"MP não participa das grandes questões nacionais"
Ver autoresPor Marília Scriboni

Esta entrevista faz parte da série que a ConJur publica a partir de segunda-feira (19/3) com os candidatos a procurador-geral de Justiça de São Paulo.

“O Ministério Público de São Paulo não tem participado das grandes questões nacionais.” A constatação é do procurador de Justiça Felipe Locke Cavalcanti. Para ele, isso é prejudicial, já que ausência do MP na mídia diminui a interação entre o órgão e a sociedade. Locke é candidato ao cargo de procurador-geral de Justiça de São Paulo. As eleições acontecem no sábado (24/3), das 9 horas às 17 horas. 

Locke Cavalcanti defende o acompanhamento do parquet em assuntos como reforma dos Código Florestal e Penal. “O Ministério Público deve melhor acompanhar a feitura das leis e sua renovação, passando a participar das comissões instituídas para tanto no Ministério da Justiça ou no Congresso Nacional”, diz.

Em entrevista à Consultor Jurídico, concedida por e-mail, Locke fala, ainda, do poder de investigação do Ministério Público. "Tal poder é uma garantia da sociedade e não se concebe no mundo um Ministério Público que não possa investigar", diz. Ele também apresenta as medidas que pretende adotar caso seja eleito procurador-geral.

Passados 24 anos desde que ingressou no Ministério Público, Locke Cavalcanti já oficiou em mais de 500 plenários do Tribunal do Júri — um dos mais conhecidos foi o que culminou na condenação do Coronel Ubiratan Guimarães a 632 anos de reclusão, por participação no massacre do Carandiru. Locke também foi assessor da Procuradoria-Geral de Justiça na gestão de Luiz Antonio Guimarães Marrey, nas áreas de competência originária criminal e cidadania. Recentemente, em 2009, Locke Cavalcanti foi reconduzido ao Conselho Nacional de Justiça, depois de ter recebido 1,4 mil votos.

Disputam ao cargo de procurador-geral os procuradores de Justiça Mário Elias Rosa e Mário de Magalhães Papaterra Limongi.

Leia abaixo a entrevista:

ConJur — O MP sumiu da mídia. Isso é bom para a população?
Felipe Locke Cavalcante — O Ministério Público não tem participado das grandes questões nacionais, e com isso não se vê o MP na mídia. A ausência é muito prejudicial à sociedade, porque o Ministério Público é constitucionalmente o defensor da sociedade, logo a ausência do MP na mídia prejudica o contato deste com a sociedade, diminuindo a interação entre ambos.

O que o MP tem feito e deve fazer em relação ao acompanhamento do processo legislativo de criação de novas leis, como o Código Florestal e o novo Código de Processo Penal?
Felipe Locke Cavalcante — O Ministério Público deve melhor acompanhar a feitura das leis e sua renovação, passando a participar das comissões instituídas para tanto no Ministério da Justiça ou no Congresso Nacional. Além disso, é necessário que o Ministério Público exponha suas posições e preocupações com as mudanças propostas, alertando a sociedade para os riscos e benefícios de tais modificações. Logo este debate também deve ser realizado por meio da mídia. Também é preciso uma maior aproximação com os deputados e senadores, sobretudo para sensibilizá-los a respeito das preocupações existentes no seio da sociedade com as modificações pretendidas.

O CNJ tem aparecido muito na mídia. Já do CNMP quase não se fala a respeito? Os promotores são "melhores" que os juízes?
Felipe Locke Cavalcante — O CNJ tem aparecido muito na mídia porque os problemas detectados no Judiciário são graves. Já no tocante ao CNMP a mídia não tem dado igual destaque, pois não foram detectados problemas da mesma natureza. Tanto juízes como promotores são, em regra, extremamente dedicados e prestam trabalho essencial e da maior relevância. Estes profissionais não podem ser julgados por atos de uma minoria absolutamente restrita.

Qual a importância do poder de investigação do MP? O MP tem usado bem esse poder?
Felipe Locke Cavalcante — O poder de investigação do Ministério Público é inerente ao exercício de sua atividade. Tal poder é uma garantia da sociedade e não se concebe no mundo um Ministério Público que não possa investigar. O Ministério Público tem utilizado corretamente este poder, sobretudo em casos graves que envolvam a criminalidade organizada,  que, lamentavelmente, quase sempre conta com a participação e com o envolvimento de maus policias para a consecução de seus objetivos criminosos.

Há vários procuradores em cargos de 2º escalão de governo, como chefe de gabinete. É justificável o procurador ou promotor ocupar cargos de segundo e terceiro escalão, desfalcando o MP?
Felipe Locke Cavalcante — A regra constitucional permite que membros do Ministério Público, cujo ingresso na carreira ocorreu antes da promulgação da atual Constituição, possam exercer outra atividade, inclusive, ocupando cargos no executivo. A regra não estipula importância dos cargos. No entanto, dado o pequeno número destas situações — que tendem a desaparecer — este fato passa a ter relevância mínima.

O que pode mudar no MP-SP com a eventual escolha do senhor para o cargo de PGJ?
Felipe Locke Cavalcante — Na hipótese de nossa escolha para o cargo de procurador-geral de Justiça, o Ministério Público receberá algumas mudanças importantes em benefício do atendimento à sociedade. Inicialmente, cabe lembrar que o nosso programa de gestão contém cinco metas básicas: Em primeiro lugar, estrutura física básica que permita o adequado atendimento à população. Hoje, infelizmente, há promotores trabalhando em gabinetes que não tem espaço sequer para o exercício regular de suas atribuições. Depois, é preciso aprimorar os concursos para funções auxiliares e estagiários, para obtermos o pessoal necessário de apoio. Cada gabinete de promotor deve ter no mínimo um oficial de promotoria e um assistente jurídico, permitindo, com isto, o rápido atendimento à população. Em terceiro, a desburocratização das rotinas de trabalho que impedem o exercício pleno da atividade fim. Quarto: Uma melhor estrutura de carreira, com a colocação em concurso de vários cargos na capital e interior, para que o Ministério Público tenha condições adequadas de desenvolver seu trabalho. Por fim, uma presença junto à sociedade, mídia e órgãos do executivo e legislativo discutindo os problemas da sociedade e as mudanças legislativas, para que a sociedade tenha um sistema de Justiça contemporâneo e eficiente. Como meta síntese, propomos a maior participação dos promotores nos órgãos de direção da instituição, inclusive, com a possibilidade, de concorrer ao cargo de procurador-geral de Justiça, tal como ocorre na imensa maioria dos Ministérios Públicos brasileiros.

Marília Scriboni é repórter da revista Consultor Jurídico.

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