22 de Janeiro de 2009 - 18h23 - Última modificação em 22 de Janeiro de 2009 - 18h23
Vale descarta demissões no curto prazo, mas não garante empregos para todo o ano
Wellton Máximo
Repórter da Agência Brasil
Brasília - Apesar de não pretender demitir mais funcionários nos próximos meses, a mineradora Vale do Rio Doce não garante a permanência de todos empregados até o final do ano. A afirmação foi feita hoje (22) pelo presidente da companhia, Roger Agnelli, após rencontro com o ministro da Fazenda, Guido Mantega.
“Estamos tentando evitar ao máximo as demissões. Inclusive não vejo novas dispensas no curto prazo. O problema é que o mundo está volátil”, disse Agnelli. Ele evitou, no entanto, confirmar a manutenção dos postos de trabalho: “Neste momento, ninguém pode garantir nada.”
De acordo com o presidente da Vale, as demissões e medidas anunciadas até agora foram necessárias por causa da queda da demanda por minérios provocada pelo agravamento da crise internacional. “Como a queda foi muito forte e brutal, tivemos de fazer ajustes.”
Hoje, a Vale anunciou que reduzirá pela metade o salário-base dos trabalhadores em mineração nos estados de Minas Gerais e de Mato Grosso do Sul até 31 de maio. O número de empregados afetados, no entanto, ainda não foi definido pela companhia e, segundo Agnelli, dependerá do desenrolar da crise. "Essa é apenas uma medida temporária."
O presidente da Vale admitiu que pode recorrer a medidas alternativas às demissões, como a concessão de férias coletivas. “Talvez a gente tenha de pôr mais empregados de férias coletivas”, disse ele. No mês passado, a mineradora demitiu 1,3 mil empregados em todo o mundo e concedeu férias coletivas a 5,5 mil.
Mesmo com a crise, Agnelli assegurou que a companhia pretende manter os investimentos previstos para 2009, estimados em US$ 14 bilhões. A quantia representa 40% a mais que os US$ 10 bilhões investidos neste ano. Segundo ele, a maior parte dos investimentos virá de recursos próprios da empresa.
Agnelli elogiou o repasse de R$ 100 bilhões do Tesouro Nacional para o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), anunciado hoje pelo ministro Guido Mantega. Ele disse, porém, disse que a Vale deve recorrer pouco aos empréstimos públicos neste ano, porque a empresa aumentou o capital com recursos dos próprios acionistas.
"No ano passado, fizemos um aumento de capital de US$ 12 bilhões, o que é suficiente para os investimentos. Se pegarmos qualquer linha do BNDES neste ano, será para gestão de custo financeiro e de prazo", explicou Agnelli.
O presidente da companhia negou ter ido pedir ajuda ao ministro da Fazenda: "O encontro foi apenas para trocar idéias sobre a situação atual da economia."
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