quarta-feira, junho 15, 2011

Consultor Jurídico - TJ-SP sinaliza que vai anular processo sobre patente de cartão telefônico - Notícias de Direito

Consultor Jurídico
Texto publicado terça, dia 14 de junho de 2011
Empresas litigam sobre patente de cartão telefônico
Ver autoresPor Fernando Porfírio

Uma batalha judicial tenta responder quem detém o direito de patente sobre o popular cartão telefônico brasileiro. O litígio que dura 13 anos promete voltar ao ponto zero. A briga envolve de um lado a estatal Telebrás e vários de seus parceiros e, de outro, a empresa paulista Signalcard Tecnologia Indústria e Comércio. Em jogo: o reconhecimento de um domínio que vale muitos milhões.

Nesta terça-feira (14/6), o Tribunal de Justiça de São Paulo deu sinal de que vai anular a sentença de primeiro grau e reabrir o processo de instrução. Tudo por causa de uma perícia classificada como “imprestável”. O recurso da Signalcard está sendo apreciado pela 3ª Câmara de Direito Privado.

Dois desembargadores já deram voto a favor da Signalcard Tecnologia Indústria e Comércio. A empresa questiona a perícia feita pelo engenheiro mecânico Dante Grasso Júnior. A decisão foi suspensa com o pedido de adiamento do desembargador Jesus Lofrano.

“O laudo é imprestável”, afirmou o relator do recurso, desembargador Adilson de Andrade. O relator entendeu que o perito era inabilitado para o caso, anulou de ofício a sentença de primeiro grau e determinou a reabertura do processo. A mesma posição foi defendida pelo revisor, Egídio Giacóia.

Na Justiça, a briga pela propriedade intelectual do cartão telefônico começou em 1998, na 6ª Vara Cível de São Bernardo do Campo. Hoje, o processo contabiliza 46 volumes e 27 apensos. O julgamento desta terça-feira tomou a maior parte da sessão da 3ª Câmara, com quatro advogados se revezando na tribuna, durante sustentação oral.

A Telebrás acusa a Signalcard de se apoderar da invenção do engenheiro Nelson Guilherme Bardini, um ex-empregado da estatal. A Signalcard contesta e diz que o sistema já havia sido patenteado por ela no INPI (Instituto Nacional da propriedade Industrial). Sustenta, ainda, que a estatal não estimulou o trabalho de Bardini e este deixou a Telebrás estatal e levou sua invenção para a iniciativa privada.

O cartão, do tipo indutivo, foi criado numa parceria entre Bardini e Dalson Artacho por volta do final dos anos 70. Os primeiros cartões telefônicos foram lançados durante a Eco-92 e substituíram as ultrapassadas moedinhas.

“Nelson Bardini fraudou a sua ex-empregadora e, ao empresar para outra empresa a patente que não era sua furtou a tecnologia que pertencia a Telebrás”, afirmou o advogado Gabriel Francisco Leonardos, que representou a sociedade de economia mista.

Fernando Porfírio é repórter da revista Consultor Jurídico

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