Revista Juristas
ano III - número 95
ISSN: 1808-8074
As Religiões e o Direito têm sido os grandes educadores das coletividades no que diz respeito à Ética, as primeiras através de aconselhamentos não dotados de sanções e o segundo por meio de regras que, descumpridas, geram penalizações para os infratores.
Todavia, apesar de todo esse esforço, para a maioria da humanidade, o trinômio dinheiro-poder-sexo ainda representa seu ideal, sua meta de vida...
O dinheiro significaria, ao mesmo tempo, a libertação do sacrifício do trabalho e o destaque social. Como em tempos passados isentavam-se os nobres dos deveres do trabalho e do respeito à igualdade entre as pessoas, atualmente o dinheiro proporciona esses privilégios. É tido como prêmio à aparente superioridade intelectual de uma minoria.
O poder é o comando que se tem sobre as coletividades. Os que o exercem nem sempre são endinheirados. Igualmente, é tido como prêmio à aparente superioridade intelectual de uns poucos.
O sexo é visto como recompensa para as canseiras do dia-a-dia tanto de endinheirados e poderosos, quanto de pobres e excluídos do poder. Tem sido incentivado como válvula de escape para as tensões e traumas. Para muitos, representa o prazer mais gratificante ...
O dinheiro e o poder são reservados a poucos. Uns os alcançam pela inteligência bem empregada, outros através da astúcia; uns com finalidades úteis para o meio social, outros apenas para satisfazer seus próprios interesses; uns utilizando meios honestos, outros maquiavelicamente...
O sexo é a grande panacéia, a válvula de escape incentivada para todos aceitarem as brutais regras do jogo social... Entende-se que, afinal, através dos desbordamentos da sexualidade (inclusive através das aberrações) todos vão se sentir recompensados dentro do seu pequeno mundo.
Nós, operadores do Direito, como educadores das coletividades, se quisermos realizar um trabalho realmente útil, não podemos viver segundo a mentalidade vulgar. Senão, estaremos como cegos conduzindo outros cegos...
Nossa Ética deve ser superior à das acomodações morais...
Para nós, o dinheiro tem de ser mera conseqüência do trabalho e não objetivo de vida. O trabalho deve ser fonte de prazer e não um peso em nossa vida.
O poder tem de ser exercido visando exclusivamente o bem verdadeiro e sincero das coletividades, e não uma forma disfarçada de totalitarismo. Devemos permanecer nele o mínimo de tempo necessário para não nos transformarmos em Napoleões atuais.
O sexo tem de ser visto como instrumento da reprodução humana, exercitado com respeito à dignidade do(a) parceiro(a).
Não adiantam as leis rigorosas nem os processos cheios de intimidações, se nossa vida pessoal gira em torno desse trinômio.
Enquanto a mentalidade geral não evoluir, a desonestidade continuará dominando através da riqueza e do poder a qualquer preço e os abusos sexuais continuarão atingindo inclusive as crianças.
Falar mais do que isso é desnecessário.
Para termos moral para julgar as partes nos processos temos de ter moral...
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