19 de Dezembro de 2008 - 15h21 - Última modificação em 19 de Dezembro de 2008 - 15h21
Supremo não privilegia ricos em julgamentos, afirma Mendes
Marco Antonio Soalheiro
Repórter da Agência Brasil
Brasília - Sem fazer alusões nominais aos habeas corpus concedidos ao banqueiro Daniel Dantas em julho, o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Gilmar Mendes, negou hoje (19) em entrevista coletiva que a atuação da Corte favoreça pessoas com maior poder aquisitivo. Ele lembrou que o índice de concessão de habeas corpus é de 30% dos pedidos que chegam ao tribunal.
“Não temos Justiça de classe no Brasil, mas sim uma assistência judiciária deficiente. A tentativa de timbrar o STF como um tribunal de ricos é leviana, maldosa e irresponsável”, afirmou Mendes ao fazer um balanço das atividades da Corte em 2008.
O presidente do STF argumentou que existem 5 mil defensores públicos no país e cerca de 400 mil presos, o que demonstraria a ineficiência do sistema de assistência aos cidadãos de baixo poder aquisitivo.
“Ainda que se multiplique por dez o número de defensores vamos ter insuficiência nesta área. Por isso estamos trabalhando para estimular a advocacia voluntária, com responsabilidade e regras”, disse Mendes, sem deixar de ressaltar que a “insuficiência de provocação” é, especialmente, de responsabilidade do Poder Executivo.
Os esforços do tribunal para inibir prisões preventivas ilegais e abusos de interceptação telefônica foram citados como importantes por Mendes. “O STF é importante não só pelo que faz e manda fazer, mas sobretudo pelo que ele inibe que se faça”, resumiu.
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