Especialistas comentam sobre Google barrar acesso a sites
Um serviço intermediário no buscador do Google tem causado dores de cabeça aos donos de sites. Com a missão de caçar páginas consideradas nocivas, o Stopbadware.org procura por supostas programações que possam conter softwares impróprios. A partir da pesquisa solicitada pelo internauta, se o resultado for considerado suspeito, o acesso é restrito e o usuário remetido à página do serviço com a seguinte mensagem: "Acessar este site pode danificar seu computador!". O buscador aconselha então que o interessado procure por conteúdo semelhante ou que continue em frente por própria conta e risco. Neste caso, o acesso é feito manualmente, ao invés do sistema de link.
Há dois motivos possíveis para páginas serem listadas. Um deles acontece quando o site contém links para outros conteúdos suspeitos. E o outro, quando softwares são incluídos com programas mal intencionados, capazes de espalhar diversos tipos danos. A checagem é independente da Web e acontece via página de FAQ do buscador, realizado, portanto, por máquinas. Após a restrição, dada sem prévio comunicado, o responsável pelo site pode pedir revisão por meio do endereço eletrônico do próprio mecanismo. Caso seja comprovada a inexistência de badware, a página é retirada da classificação e volta à listagem convencional.
Assustados
A "peneira virtual" promove sustos e frustração aos donos de sites citados pela busca. Alguns deles alegam inocência e possíveis enganos cometidos pela máquina. É o caso de Matt Blatchley, profissional do Centro Greenbush de Serviços de Educação de Kansas, EUA. Em comentário publicado no Google Groups, ele afirmava não ter "softwares maliciosos ou qualquer coisa que indicaria uma necessidade de banir a pessoa de visualizar do site". Atualmente, o site do Greenbush está liberado de restrições.
A especialista em Direito Digital, Patricia Peck, julga positiva a intenção do Google de monitorar as atividades de seus clientes em prol da coletividade na Web. Porém, alega que deve haver um procedimento de aviso antecipado para haver tempo hábil de correção do problema. "É preciso dar o direito da página se defender também. O alerta pode ser feito antes da restrição ser aplicada. 24 horas seria o tempo mais adequado, declara.
Para ela, o movimento encabeçado pelo Google não pode ser considerado censura à informação, pois apesar de tudo, o usuário não é proibido de acessar a página. "Serviços da web, em geral, possuem regras próprias. Se houvesse a retirada completa do ar e a mesma ficasse inacessível para qualquer usuário de qualquer forma de acesso, aí sim estaria havendo censura", completa.
Justiça
A especialista não aconselha apelar judicialmente no caso de a empresa se julgar prejudicada com o ocorrido. Procurar a Justiça, somente quando há erro na própria tecnologia do mecanismo e o acusado consiga a comprovação.
"A Internet deixou de ser um espaço inofensivo. A liberdade individual vai até aonde não gere lesão aos internautas. Mas muitas vezes, a tecnologia erra, e pode considerar como perigoso uma página por engano, e então, aí nasce um outro problema, inclusive jurídico." O cadastro das empresas no Google é voluntário. Portanto, é possível de desvincular do serviço para não sofrer a classificação na lista.
Crítica
O especialista em segurança na Internet, Alexandre Ichiro Hashimoto, também concorda com a falha do Google em restringir o acesso sem o devido alerta para os sites. "Poderiam ser mais polidos ao invés de impor um modelo norte-americano para o resto dos mercados. A maior parte dos empresários brasileiros desconhece o serviço e cada país precisa ter uma regra", afirma. Para ele, além do aviso com antecedência, ferramentas deviam ter sido criadas para possibilitar a checagem e eventuais correções dos erros.
Em comunicado, o Stopbadware disse entender sobre a constrangedora situação. Mas lembra que grande parte dos acusados não tem ciência de que seus conteúdos levam usuários a outros considerados nocivos.
Redação Adnews - 31/8/2007 14:52:00
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Publicado: Adnews
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