16 de Dezembro de 2008 - 17h53 - Última modificação em 16 de Dezembro de 2008 - 17h53
Contratações temporárias de fim de ano não devem sofrer com a crise, diz Dieese
Flávia Albuquerque
Repórter da Agência Brasil
São Paulo - As contratações temporárias, típicas do final de ano no comércio, não deverão ser afetadas pela crise econômica internacional. A afirmação foi feita hoje (16) pelo coordenador de Relações Sindicais do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), José Silvestre. Ele disse que, conforme o que se observou em outubro, ainda não há sinais de impacto da crise no comércio.
“A crise pouco ou quase nada vai afetar o setor do comércio no final do ano, seja do ponto de vista das vendas, seja da contratação. A crise só vai se refletir, e nós só teremos condições de avaliar melhor a partir do ano que vem, quando tivermos dados do primeiro trimestre do ano”, afirmou Silvestre, ao apresentar o segundo boletim da série Trabalho no Comércio, elaborado pela entidade.
De acordo com o boletim, entre 2004 e 2007, a massa de rendimentos cresceu 18% no conjunto das regiões metropolitanas de Belo Horizonte, São Paulo, Porto Alegre, Recife e Salvador, além do Distrito Federal. O resultado de tal crescimento foi um aumento de 13,9% do emprego no comércio.
Os dados mostram ainda que, na comparação do último trimestre do ano com o trimestre anterior, houve crescimento na média de todas as regiões. Em 2004, a elevação foi de 6,9%; em 2005, de 2,6%; em 2006, de 6%; e em 2007, de 4%.
A pesquisa mostra que, em todas as regiões, entre 2004 e 2007, diminuíram as contratações sem carteira de trabalho assinada e aumentaram as contratações formais. Em Belo Horizonte, por exemplo, foram 34,5% contra -19%; em Porto Alegre, 16,5% contra 5,4%; no Distrito Federal, 37,5% contra 0%; em Recife, 30% contra 3,6%; em Salvador 55,3% contra -7,7% e em São Paulo 31,4% contra 0,6%.
“Quatro de cada dez contratações no comércio são feitas sem carteira assinada. O boletim mostra que a melhoria da economia refletiu positivamente nos índices de formalização e, ao mesmo tempo, principalmente no final do ano, o comércio contrata os temporários. Houve redução proporcional do contingente de pessoas contratadas informalmente. Muitos foram, mas, por conta da expansão do emprego no comércio, esse tipo de contratação se reduziu”, afirmou Silvestre.
Pelos dados da pesquisa, o comércio é responsável por cerca de 16% do total de pessoas ocupadas, taxa igual à da indústria e menor apenas que a do setor de serviços, que responde por 54% dos ocupados. Silvestre explicou que o aumento das contratações no comércio está relacionado com o aumento da massa de rendimentos e a disponibilidade de crédito.
Silvestre destacou que, mesmo com a melhoria da economia e o aumento da formalização do trabalho nesse setor, a estrutura ocupacional, ou seja, a porcentagem de pessoas contratadas no comércio continua igual durante os quatro anos pesquisados.
“O que expande mais e contrata mais gente são as atividades ligadas ao setor de serviços. O comércio pode crescer, mas cresce muito pouco, porque tem a característica de ser muito pulverizado e ter índice alto de mortalidade de empresas, que nascem e acabam antes de completar um ano”, concluiu.
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