24 de Outubro de 2008 - 19h54 - Última modificação em 24 de Outubro de 2008 - 19h54
Construtoras e mutuários divergem sobre MP que permite à Caixa comprar empresas
Pedro Peduzzi
Repórter da Agência Brasil
Brasília - O presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado de São Paulo (SindusCon-SP), Sergio Watanabe, informou que atualmente nenhuma empresa de construção civil corre risco de pedir falência. “Não faz o menor sentido incluir o nosso setor na MP 443, porque estamos bem e com a previsão de crescer 10% em 2008”, disse Watanabe, que está em São Luís (MA) participando do 80º Encontro Nacional da Indústria da Construção Civil (Enac).
“Para ajudar a construção civil basta ao governo disponibilizar linhas de crédito para enfrentarmos a crise momentânea de liquidez que atinge toda a economia brasileira. É uma contradição a Caixa comprar empresas para construir imóveis e depois financiá-los”, argumentou.A MP 443, que autoriza o Banco do Brasil e a Caixa comprar bancos e empresas, foi um dos assuntos mais discutidos no Enac, que reúne empresários e profissionais ligados ao setor.
Segundo a Associação Brasileira dos Mutuários da Habitação (ABMH) – entidade que representa mais de 10 mil mutuários distribuídos por 17 estados –, a possibilidade de a Caixa comprar empresas de construção civil resguardará eventual quebradeira do setor. “A MP foi muito bem recebida pelos mutuários”, garantiu o presidente da entidade, Richard Neviton Mamede.
“Percebemos no decorrer da crise a perda de algumas empresas na bolsa de valores e estamos atentos a isso, de forma a evitar casos similares ao ocorrido com a Encol [construtora que faliu na segunda metade dos anos 90]”, explicou o assessor Jurídico da ABMH, Leandro Pacífico.
A ABNH ainda não recebeu denúncias relativas a obras que, em decorrência da crise, tenham atrasado. “Mas a gente sabe que o contexto pode resultar nisso, motivo pelo qual o governo adotou essas medidas, ainda que em caráter preventivo”, disse Mamede.
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