quarta-feira, outubro 29, 2008

Agência Brasil - Mesmo com visita de Lula, distância entre Geddel e Wagner não diminui - Direito Eleitoral

 
28 de Outubro de 2008 - 21h31 - Última modificação em 28 de Outubro de 2008 - 21h33


Mesmo com visita de Lula, distância entre Geddel e Wagner não diminui

Luciana Lima
Repórter da Agência Brasil

 
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Brasília - “Foi feita uma aliança que nos deu a vitória em 2006. Se essa aliança durar, cabe a ele a vaga no Senado”, disse o governador da Bahia, ao comentar o encontro que teve com o ministro da Integração Nacional, Geddel Vieira Lima, na noite de segunda-feira.

O encontro foi chamado pelo governador com o objetivo de melhorar a relação com o ministro, às vésperas da vista do presidente Luiz Inácio Lula da Silva a Salvador. A conversa entre os dois políticos da base do governo ficou desgastada pela acirrada campanha à prefeitura de Salvador, vencida por  João Henrique Carneiro, candidato apoiado pelo ministro.

Logo após a divulgação dos resultados das urnas, Geddel falou de seus planos para o governo do Estado, mas não especificou se quer se candidatar em 2010. No encontro, Wagner teria confirmado que é candidato à reeleição e que disse a Geddel que se ele tem planos de articular uma candidatura, principalmente com a presença do DEM, é melhor que o PMDB saia agora do governo. 

“É obvio que não me interessa empurrar o PMDB para a aliança com o DEM, porque isso poderá provocar uma candidatura forte contra o presidente Lula em 2010. Mas também não há sentido em manter uma aliança, que vai resultar em uma candidatura contra a minha em 2010”, disse o governador.

Já o ministro Geddel não confirmou ter ouvido de Wagner esse posicionamento no encontro. Mas a divergência no discurso não é a única forma de evidencia o mal-estar que ainda dá o tom das conversas entre o governador e o ministro. Hoje, com a presença do presidente Lula em Salvador, onde participou da 9ª Cúpula Brasil-Portugal, Geddel o recepcionou na base aérea, mas não o acompanhou na comitiva, que seguiu para o centro da cidade. Na noite anterior, o ministro já havia se mostrado reticente em aparecer ao lado de Wagner.

Geddel também não participou da reunião ampliada da qual participaram ministros brasileiros e portugueses, além do presidente Lula e do primeiro-ministro de Portugal, Jose Sócrates, nem da visita dos dois presidentes e comitiva ao navio escola Sagres, de bandeira portuguesa. Wagner participou da reunião e Geddel preferiu ficar do lado de fora, onde conversou com jornalistas. Ele disse que o encontro com o governador foi cordial, mas que os dois evitaram cobranças.

“O governador não tem idade para me dar conselho nem eu tenho idade para dar conselho ao governador. O governador não cobra de ministro nem ministro cobra de governador”, disse Geddel, que insistiu na argumentação de que os problemas existiram muito mais “nas páginas dos jornais” do que na relação dos dois.

O ministro evitou, a todo momento, falar sobre o futuro político e sobre a possível aliança entre o PMDB e o DEM, legenda liderada na Bahia por Antônio Carlos Magalhães Neto. “Vamos dicutir 2010 quando 2010 chegar e repito aquilo que eu disse: se pudermos estar juntos com o PT em 2010 é o ideal”, disse.

Ao deixar de definir seu futuro político, Geddel ainda jogou para Wagner a opção de estar ou não com o PMDB. “A caneta é do governador do estado, portanto, quando ele entender que deve afastar o PMDB que o faça. Naturalmente, vamos trabalhar na linha de tentar manter a nossa aliança”, disse o ministro, que desviou a conversa quando o assunto foi a sua possível candidatura ao governo da Bahia em 2010. “Eu vou lutar bravamente para estar vivo em 2010", disse o ministro.  

Hoje, não interessaria a Geddel sair do Governo pois, com sua atuação na pasta da Integração Nacional, o PMDB fez 113 prefeitos em municípios pequenos do interior da Bahia. Sem o ministério, na opinião de especialistas, Geddel dificilmente manteria seu prestígio junto aos prefeitos, que são dependentes das políticas do governo federal e estadual.

Durante a campanha no segundo turno, João Henrique, candidato apoiado por Geddel, se colocou como o grande traído pelo PT e por repetidas vezes lembrou que o partido do governador e do seu adversário, Walter Pinheiro, esteve em seu governo com quatro secretarias até abril deste ano, ou até o PT lançar o nome de Pinheiro, que acabou concorrendo com o dele.

 


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