25 de Outubro de 2008 - 08h55 - Última modificação em 25 de Outubro de 2008 - 08h55
Temas como transporte, educação e saúde dominam debate em Porto Alegre
Mylena Fiori
Enviada Especial
Porto Alegre - Transporte, educação, saúde e segurança dominaram, ontem (24) à noite, o debate entre os candidatos à prefeitura de Porto Alegre. O embate ocorreu de forma civilizada e sem alterações dos candidatos, mas foi marcado por sucessivas acusações e críticas por parte de Maria do Rosário, do PT, à atual administração de José Fogaça, do PMDB. O candidato à reeleição reagia, questionando dados citados pela adversária e mencionando as iniciativas de sua administração.
O programa Portais da Cidade, de Fogaça, foi um dos alvos preferidos de Rosário. A candidata do PT tentou mostrar que o projeto, que prevê terminais de transferência de passageiros fora do centro da cidade, causará transtornos para aqueles que trabalham na região central e dependerão de baldeação. Fogaça defendeu a iniciativa, disse que o programa é premiado em Curitiba e na cidade colombiana de Bogotá e frisou: “os portais que vão garantir a Copa de 2014”. Fazer de Porto Alegre uma das sedes da Copa de 2014 era uma das principais propostas de Manuela D’Ávila, candidata do PCdoB derrotada no primeiro turno, cujos votos vêm sendo disputados por Fogaça e Maria do Rosário.
O debate esquentou também na área de educação, com Fogaça acusando o PT de ter acabado com o ensino em tempo integral nos 16 nos em que o partido esteve à frente da prefeitura. Rosário respondeu que a prioridade do PT era colocar as crianças na escola e que a proposta de turno integral é do PT. Fogaça, segundo ela, teria encampado o projeto somente agora.
Na área de segurança, a polêmica envolveu desde questões triviais, como lâmpadas queimadas na cidade, até a relação da prefeitura com o governo do estado. Maria do Rosário insistiu que, embora segurança seja responsabilidade do governo estadual, cabe ao prefeito cobrar providências do estado – hoje administrado pelo PSDB. Fogaça garantiu que já fez isso e lembrou que criou um Gabinete de Gestão Integrada justamente para trabalhar em conjunto com a Brigada Militar.
Após uma hora e meia, os candidatos tiveram dois minutos e meio para considerações finais. Fogaça foi o primeiro e começou dizendo que cobranças fazem parte do processo democrático. Ele voltou a afirmar o que havia dito em seu último programa eleitoral na TV: que também se preocupa com as classes mais pobres – grupo onde Fogaça tem o menor percentual de intenções de voto, ainda que acima de Maria do Rosário.
”Um governo deve olhar para os bairros, deve olhar para as vilas populares, deve olhar para aquelas pessoas que precisam da prefeitura”, afirmou. “Em Porto Alegre, todos precisam da prefeitura e a prefeitura tem que trabalhar para todos mas, me perdoem, há, em alguns lugares dessa cidade, pessoas que precisam muito da prefeitura”, reiterou. Também defendeu o orçamento participativo, instituído na administração petista e que projetou a cidade internacionalmente. “O orçamento participativo não é mais de um governo, faz parte da institucionalidade democrática da cidade e nós vamos manter isso”.
Maria do Rosário encerrou o debate. Disse que deve tudo o que é e fez na vida a Porto Alegre, agradeceu aos demais candidatos, lembrando que incorporou propostas de vários deles e pediu votos. “Quero lutar pela nossa cidade, integrada ao programa nacional e ao projeto que tem à frente o presidente Lula, mas integrada, principalmente, à nossa comunidade”, afirmou, ressaltando a importância da participação da população nos destinos da capital. Disse ainda que batalhará para trazer de volta a Porto Alegre o Fórum Social Mundial. “É uma cidade de esquerda, mas é uma cidade também democrática e que reflete todas as posições políticas”, afirmou.
Hoje (25), os dois candidatos encerram suas campanhas com caminhadas e carreatas pela cidade.
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