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Charge de Gerson Kauer
Por Rafael Berthold,
advogado
Dois jovens advogados tiveram uma idéia brilhante: fariam um escritório de Advocacia virtual. Manteriam contato com os clientes por meio de sua página na Internet, via chat e e-mail. Assim não necessitavam de grande infra-estrutura no escritório, pois jamais receberiam os clientes.
Estes escolheriam, no website do escritório, o tipo de ação que desejassem ingressar e, na própria página, saberiam quais documentos digitalizados deveriam encaminhar via e-mail aos advogados. No mesmo local, a partir dos dados digitados pelos clientes, seriam gerados automaticamente procuração e boleto bancário relativo aos honorários.Os dois advogados fizeram grande divulgação via Internet, - a despeito das possíveis implicações éticas - mas advertiram que só poderiam entrar com ações relativas a determinadas matérias e somente nos foros que admitissem a demanda virtual. Isso, ainda que limitasse um pouco a atuação, era mais do que compensado pela abrangência nacional e, quiçá, internacional do escritório especialista em processos eletrônicos.
A idéia foi bem aceita pela comunidade virtual e uma enxurrada de processos começou a ser contratada on-line. Na mesma proporção o dinheiro entrava na conta dos advogados a quem incumbia o único trabalho de reencaminhar os documentos já digitalizados pelos próprios clientes para os endereços dos tribunais.
Mas o que parecia um paraíso não demorou a se converter em um pesadelo para os dois jovens. Isso porque os processos virtuais simplesmente pararam de andar!Especialmente aqueles distribuídos na própria comarca em que se situava o escritório. Sempre que os advogados acessavam os processos eletrônicos e solicitavam sua situação atualizada, a seguinte mensagem aparecia na tela: “Erro no servidor ~(:-( Servidor ocioso: mais de 5 minutos sem responder. Tente acessar mais tarde. Se o problema persistir, consulte o administrador do sistema.”
Com a demora nos processos os clientes, que eram freqüentadores assíduos da Internet, se indignaram. Não demorou para se criarem comunidades no “Orkut” difamando o escritório. E hackers passaram a invadir os computadores dos jovens hermeneutas, roubando senhas e fotos que passaram a circular em correntes de e-mails.
A situação ficou tão insustentável que os jovens decidiram quebrar o protocolo. Ao mais articulado incumbiu a tarefa de ir pessoalmente ao foro e exigir providências. Ao outro incumbiu a missão de ficar no escritório respondendo às cobranças dos clientes.
Mais tarde, aquele que foi ao foro retornou cabisbaixo. O que ficara no escritório, ansioso pelas novidades, o interpelou imediatamente:
– E aí? Problema resolvido?
– Pior é que não...
– E o que houve?
– Servidor ocioso...
(*) E.mail: rafael@seb.adv.br
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