15 de Outubro de 2008 - 17h28 - Última modificação em 15 de Outubro de 2008 - 17h35
Bancários querem reabrir negociações, afirma diretor da Contraf/CUT
Da Agência Brasil
Brasília - O diretor da Confederação Nacional dos Trabalhadores no Ramo Financeiro (Contraf), filiada à Central Única de Trabalhadores (CUT), Marcel Barros, coordenador da comissão de empresa dos funcionários do Banco do Brasil, avaliou como "muito ruim" a proposta enviada pelos bancos para o fim da greve dos bancários.
Barros fez essa afirmação em entrevista hoje (15) à Rádio Nacional. Ele destacou a necessidade de os representantes dos bancos se sensibilizarem com a situação dos trabalhadores do setor e apresentarem uma nova proposta para que os bancários voltem ao trabalho.
Segundo Marcel Barros, os índices de reajuste propostos pelos bancos praticamente não têm aumento real, enquanto algumas categorias, que têm mais dificuldades, como os metalúrgicos, tiveram aumento real da ordem de 4% a 5%. A Fenaban propõe aumento de 0,35%. Os bancários pedem aumento de 5% sobre a inflação medida no período, que foi de 7%. Para Barros, “bancos com rentabilidade da ordem de 30% têm condições de atender a esse aumento”.
Outra questão é a participação nos lucros. Segundo o diretor, os bancos apresentaram um modelo de participação nos lucros que pagaria menos do que a quantia paga no ano passado, enquanto o lucro dos bancos cresceu.
Com a internet e o atendimento através de correios e lotéricas, os clientes dos bancos não sentem diretamente a greve. A maioria dos aposentados, que retirava o dinheiro direto no caixa, já possui os cartões da previdência e usa os caixas eletrônicos. Para Marcel, as máquinas não substituem o bancário, que tem o papel de orientar os clientes, e a greve prejudica a população de baixa renda, “o público que necessita do trabalho bancário, que são as pessoas de menor renda, é prejudicado. Os bancos querem os pobres longe das agências”, disse o sindicalista.
Marcel Barros destacou que a categoria tem piso salarial entre R$ 921,00 (na rede privada) R$ 1.244,00 (na Caixa Econômica Federal), além de sofrer com doenças geradas pelo estresse.
Os bancários estão obedecendo à lei de greve, de manter 30% dos trabalhadores exercendo suas funções, segundo o diretor da Contraf/CUT. Além dos auto-atendimentos, da internet, lotéricas e correios, há algumas agências abertas e funcionários que abastecem os terminais.
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