sexta-feira, outubro 03, 2008

Agência Brasil - Equilíbrio de forças políticas provoca "embolamento" na eleição em Salvador, diz analista - Direito Eleitoral

 
2 de Outubro de 2008 - 20h54 - Última modificação em 2 de Outubro de 2008 - 20h54


Equilíbrio de forças políticas provoca "embolamento" na eleição em Salvador, diz analista

Luciana Lima
Enviada Especial

 
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Salvador (BA) - Um equilíbrio das forças políticas mais relevantes da Bahia. Esse é o principal fato que explica, na opinião do cientista político Paulo Fábio Dantas Neto, a situação de “embolamento” na reta final do primeiro turno das eleições em Salvador. Paulo Fábio Dantas é professor da Universidade Federal da Bahia e autor do livro “Tradição, Autocracia e Carisma: a política de Antônio Carlos Magalhães”, no qual ele analisa as principais características do chamado “Carlismo” e detalha a ascensão e a queda dessa forma de fazer política que nos anos 90 era sinônimo de elite política na Bahia.

“Em Salvador está muito claro que os três candidatos que estão chegando na reta final em condições reais de ganhar as eleições são representantes das forças mais relevantes da política baiana. O PT, que está no governo do estado, o PMBD, seu aliado, e o Carlismo do DEM. Nenhum desses três candidatos chegou onde chegou pelos belos olhos ou devido à sua performance pessoal, ou pelo carisma político, ou pela competência como administrador. Na verdade, eles chegaram onde chegaram porque eles são expressões dessas forças políticas”, explica Dantas.

De acordo com as pesquisas de intenções de voto, o deputado Antônio Carlos Magalhães Neto (DEM) está na frente, mas com uma vantagem muito pequena em relação ao candidato do PT, deputado Walter Pinheiro, e ao candidato do PMDB, o atual prefeito de Salvador, João Henrique Carneiro. Pinheiro e João estão empatados no segundo lugar.

A bem-sucedida campanha de João Henrique, para Paulo Fábio, é mais um exemplo do peso da legenda sobre o eleitor da capital. “Para o prefeito conseguir disputar com as condições que ele está tendo, precisou se abrigar em um partido relevante. Se não tivesse feito isso, é muito provável que seu destino eleitoral fosse semelhante ao que está tendo o Imbassahy [Antônio Imbassahy, ex-prefeito de Salvador, candidato do PSDB]”. A campanha de Imbassahy teve uma aceitação muito forte ao ser lançada. Ele chegou a ocupar o segundo lugar, mas não se sustentou. Atualmente amarga o quarto lugar.

Imbassahy foi para a campanha tendo como trunfo principal a sua reputação de bom administrador, de bom gerente. Ele saiu há quatro anos da prefeitura muito bem avaliado e foi com esse cabedal que iniciou a campanha muito bem colocado. Entretanto, ele terminou sendo vencido no processo, porque, do ponto de vista político, não possuía e não possui essa articulação, esse apoio de forças relevantes na Bahia. Ele não dispõe de recursos de poder para entrar em uma disputa pesada como está sendo essa. Apesar de sua reputação, ele não teve fôlego para chegar até o final”, analisou o professor.

 



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