quarta-feira, outubro 22, 2008

Agência Brasil - Governo do Rio vai garantir visita a presos mesmo diante de protesto de agentes - Direitos Humanos

 
21 de Outubro de 2008 - 17h29 - Última modificação em 22 de Outubro de 2008 - 10h30


Governo do Rio vai garantir visita a presos mesmo diante de protesto de agentes

Isabela Vieira
Repórter da Agência Brasil

 
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Rio de Janeiro - A Secretaria de Administração Penitenciária do Rio informou hoje (21) que será mantido o benefício da visita a todos os presos do estado. Ontem (20), os agentes penitenciários decidiram suspender as visitas aos detentos de uma determinada facção, que poderiam estar envolvidos com a morte de um diretor do presídio Bangu 3, na última semana.

A decisão do Sindicato dos Servidores do Sistema Penal foi tomada na noite de ontem, em assembléia. Os agentes prometem a suspensão do benefício a partir de sexta-feira da próxima semana (31). Eles querem cobrar do governo estadual medidas de segurança não só para os diretores das unidades, como para os funcionários das casas de detenção.

“Isso hoje é questão de vida ou morte. É impossível pensar em ir e vir do trabalho sempre em comboio. Estamos andando com 30 ou 40 carros, buscando trabalhadores em casa, levando para o trabalho e trazendo” afirmou. “Isso traz não só despesa de combustível, mas constrangimento para as famílias”, disse o presidente do sindicato, Francisco Rodrigues.

A categoria, que já tem porte de arma, pediu que o governo forneça munição, coletes à prova de balas e também as armas. Segundo os agentes, os equipamentos custam cerca de R$ 3 mil. “Queremos o mínimo. O que o estado pode fazer é nos guarnecer de ataques covardes, que vitimam nossos companheiros”, acrescentou.

De acordo com a assessoria de imprensa da Secretaria de Administração Penitenciária, o governo vai garantir o cumprimento do benefício da visita, mas ainda não informou como. O orgão também não informou sobre a elaboração de medidas de proteção aos agentes.

Ainda de acordo com o Sindicato dos Servidores do Sistema Penal os agentes correm iminente risco de morrer. Eles informaram que um comunicado interno da própria secretária, na semana passada, os alertava sobre ameaças da facção criminosa contra os agentes.

“Depois da morte do coronel, a secretaria expediu um alarme pedindo para que todos tivessem cuidado, após interceptar uma ligação telefônica na qual integrantes dessa facção ordenavam a execução sumária de qualquer agente”, revelou Rodrigues. “Já vivemos aterrorizados no cárcere, agora na rua também teremos que trabalhar com o terror?”

Hoje, o governador do Rio, Sérgio Cabral, afirmou que não tinha informações sobre o protesto, mas entraria em contato com o secretário Cesar Rubens Monteiro. “Quero ouvir o secretário. O sindicato não governa. Quero saber de que maneira isso ocorreu. Em vez de fazer uma declaração precipitada, quero falar com o secretário”, declarou Cabral à imprensa.

Um decreto do governo estadual, de ontem, determina aos diretores de presídios de regime fechado o uso de coletes à prova de balas, escolta e carros blindados. Na última semana, o diretor de Bangu 3, o tenente-coronel José Roberto Lourenço do Amaral, que dispensou essa  proteção, foi morto com 60 tiros, na Avenida Brasil.

No final da tarde, a assessoria de imprensa do Palácio da Guanabara divulgou nota informando que “não houve nenhuma mudança na regularidade das visitas” e que o benefício continuará normalmente.



Reportagem ampliada.  


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