17 de Outubro de 2008 - 16h48 - Última modificação em 17 de Outubro de 2008 - 17h41
Infraero faz exercício de simulação no aeroporto de Brasília
Pedro Peduzzi
Repórter da Agência Brasil
Antonio Cruz/ABrBrasília - A Infraero realizou hoje (17), no Aeroporto Internacional de Brasília, um exercício de simulação de situações enfrentadas por pessoas com deficiência física ou dificuldades de mobilidade. A simulação é a etapa final de um curso dirigido a 120 funcionários da Infraero, de companhias aéreas, empresas terceirizadas, órgãos públicos e de concessionários que atuam diretamente no atendimento ao público. Ao todo, 22 aeroportos de capitais brasileiras já passaram pelo mesmo treinamento.
Brasília - Participantes do Curso de Atendimento à Pessoa com Deficiência ou Mobilidade Reduzida fazem simulação de situações enfrentadas por pessoas com deficiência, no saguão do Aeroporto Internacional de Brasília. A atividade é parte final do curso, promovido pela Empresa Brasileira de Infra-Estrutura Aeroportuária (Infraero)
A simulação realizada hoje teve como objetivo principal a conscientização dos funcionários sobre as dificuldades encontradas pelos portadores de deficiência nos aeroportos. Eles circularam por todos os ambientes, em cima de cadeira de rodas ou com os olhos e ouvidos vendados. A experiência resultará em relatório contendo o levantamento das necessidades e dos pontos positivos e negativos do aeroporto.
O relatório será encaminhado ao Comitê Nacional de Acessibilidade (Conaces) da Infraero, que definirá um plano de ações a ser apresentado ao aeroporto. Focada em sete frentes – edificações, atendimento, sensibilização, divulgação, público interno e comunicação –, “a avaliação costuma ser muito bem recebida pela administração e pelos fornecedores de serviços nos aeroportos”, garante a encarregada da ouvidoria do aeroporto de Porto Alegre (RS), Rosângela Cavalcante Lopes.
A simulação no aeroporto foi bastante elogiada pelo cadeirante Edilson Alves, 36 anos, que, pela segunda vez, viaja a Brasília a tratamento. “Nos aeroportos há sempre pessoas tentando nos ajudar. É uma pena que o mesmo não aconteça nas ruas”, lamenta. A satisfação do cadeirante é fruto do trabalho de Valdeci Albuquerque, 49 anos, um dos idealizadores do curso, do qual é instrutor.
Assistente da presidência da Infraero, onde trabalha há 22 anos, Albuquerque tem especial motivação para os trabalhos que realiza no Conaces. Pai de duas filhas cadeirantes devido a atrofia muscular espinhal, Albuquerque ficava incomodado quando testemunhava no próprio ambiente de trabalho – o aeroporto de Brasília – as dificuldades enfrentadas pelos cadeirantes.
“Eu sempre busquei ajudá-los. Insistia para que medidas fossem tomadas no sentido de facilitar a vida já bastante complicada dessas pessoas. A comunicação é um problema sério para eles. Nos elevadores e nos cardápios dos restaurantes não havia inscrições em braile para cegos. Os surdos perdiam vôos porque não escutavam as mensagens anunciadas no sistema de som, alertando mudanças no procedimento de embarque. E os mudos simplesmente acabavam se atrasando porque os funcionários não entendiam a linguagem de sinais”, lembra Albuquerque.
Os Jogos Parapan-americanos, realizados no Rio de Janeiro em 2007, foram um marco para a equipe do Conaces que participou do curso e da simulação em Brasília. Profissional de serviços portuários no Aeroporto do Galeão, no Rio de Janeiro, José Carlos Rodrigues lembra da dificuldade que foi desembarcar 46 atletas cadeirantes da delegação venezuelana.
“O pessoal do apoio venezuelano simplesmente foi embora, e nós, que a princípio iríamos apenas acompanhá-los, tivemos de desembarcar, um a um, cada atleta. Como só havia uma cadeira de bordo, ficamos até as quatro da manhã nesse vai-e-vem. Apesar da exaustão, ficamos orgulhosos por termos dado conta do serviço”, comemora Rodrigues.
“Não existe superação sem dificuldade”, explica Valdeci Albuquerque após retratar tantos exemplos de superação testemunhados nos aeroportos e em casa. “Apesar das barreiras, minhas duas filhas conseguiram se formar, e hoje são servidoras concursadas. Nada as impediu de conquistar as coisas, e isso é o que mais me motiva a continuar meu trabalho”, conclui.
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