25 de Outubro de 2008 - 18h55 - Última modificação em 25 de Outubro de 2008 - 18h55
No último dia de campanha, Manuela dá apoio a Maria do Rosário
Mylena Fiori
Enviada especial
Porto Alegre - A candidata petista à prefeitura de Porto Alegre, Maria do Rosário, finalmente conseguiu o apoio esperado pela Frente Popular desde o começo da campanha: o de Manuela D`Ávila, do PCdoB. Manuela chegou à capital gaúcha no final da manhã chuvosa deste sábado. Depois de duas horas de hesitação sobre como e quando as adversárias no primeiro turno apareceriam juntas, as duas saíram em carreata pela cidade.
Em seu primeiro encontro depois de uma tensa campanha no primeiro turno, as deputadas não conseguiram disfarçar o constrangimento da aproximação impostas por seus partidos. Um rápido aperto de mão e sorrisos amarelos selaram o encontro no Largo da Epatur, próximo ao centro de Porto Alegre. Maria do Rosário disse estar feliz com o apoio do PCdoB.
Rosário preferiu economizar palavras. “Queria dizer para a Manuela o meu agradecimento por ela estar aqui com a gente, cumprimentá-la por toda a trajetória e que nós vamos seguir juntas pela vida e pela vida. É isso aí”, disse a candidata petista. Em seguida, as duas viraram as costas para atender a jornalistas e eleitores.
Histórico aliado do PT, o PCdoB optou por uma candidatura própria nesta eleição e acabou se aliando ao PPS, antigo partido do candidato à reeleição José Fogaça, hoje no PMDB.
Deputada federal mais votada no estado em 2006, Manuela ficou em terceiro lugar no primeiro turno na disputa pelo comando da capital gaúcha, com 15,35% dos votos válidos. Em grande parte da campanha, Manuela aparecia à frente de Rosário nas pesquisas e a disputa foi marcada por ataques pessoais.
Neste segundo turno, o PPS decidiu apoiar Fogaça e o PCdoB ficou ao lado do PT. A decisão da direção nacional do partido foi referendada pelo PCdoB local, com Manuela mantendo-se afastada da campanha. Os dois partidos sabiam da dificuldade da aproximação, mas a possibilidade de vitória depende, em grande parte, da transferência dos votos de Manuela para Rosário. Por isso, a presença da deputada comunista na campanha - assim como a do presidente Luiz Inácio Lula da Silva – era considerada fundamental e foi batalhada até o final.
Depois de muita pressão dos partidos, as duas subiram no mesmo carro de som poucas horas antes do encerramento da campanha eleitoral. Manuela deveria participar do encerramento da carreata no bairro Rubem Berta, onde o PCdoB tem historicamente mais votos. A participação foi antecipada para o começo da tarde devido à chuva.
Pouco antes, em entrevista exclusiva à Agência Brasil, Manuela admitiu que a aliança com o PT neste segundo turno previa seu distanciamento do processo eleitoral.
“Desde o início, estabelecemos que em função de eu ter representado uma aliança ampla no primeiro turno das eleições, eu não teria uma participação televisiva ou nos comícios em respeito a isso, inclusive porque acredito que os eleitores são livres, não dependem da minha atuação para escolherem”, afirmou.
Questionada sobre a inusitada união do PCdoB com o PPS no primeiro turno, disse que construir alianças é justamente conciliar diferenças. “As pessoas acham que construir alianças é juntar iguais. Iguais não precisam de alianças”, frisou. Lembrou ainda que o PCdoB e o PT também já tiveram grandes diferenças, o que não inviabilizou uma aliança nacional – como exemplo, citou o ano de 1984, quando o PCdoB foi favorável ao Colégio Eleitoral e o PT contra.
“Essa é uma diferença muito grande, maior do que uma diferença pontual sobre o orçamento participativo ou sobre a vinda de uma montadora para o Rio Grande do Sul, ela dizia respeito aos rumos da redemocratização do país, e nem por isso nossas relações com o PT não são sólidas e não temos um programa comum muito bem desenvolvido com o presidente Lula”, ponderou.
Sobre a divisão da esquerda na capital gaúcha, prefere não prever se é um caminho irreversível. “A política é dinâmica na medida em que a conjuntura muda. E não foi uma separação da esquerda, foram candidaturas diferentes de partidos que são diferentes”, afirmou.
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Agência Brasil - No último dia de campanha, Manuela dá apoio a Maria do Rosário - Direito Eleitoral
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