quinta-feira, outubro 16, 2008

Agência Brasil - Produtores do Paraná temem que países entrem em recessão e parem de comprar - Direito do Trabalho

 
14 de Outubro de 2008 - 18h51 - Última modificação em 14 de Outubro de 2008 - 18h51


Produtores do Paraná temem que países entrem em recessão e parem de comprar

Lúcia Norcio
Repórter da Agência Brasil

 
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Curitiba - O Paraná, maior produtor de grãos do país e responsável por 21% da produção nacional, pode ter a safra 2008/2009 comprometida devido à crise financeira internacional, na avaliação da Federação da Agricultura do estado (Faep).

Pela última estimativa de safra do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Paraná iria colher 31,54 milhões de toneladas, a maior safra da história do estado.

Entretanto, segundo o assessor da presidência da Faep, Carlos Augusto Albuquerque, no plantio desta safra, que começou em setembro, houve restrições na tecnologia utilizada devido ao aumento nos preços, principalmente, dos insumos, da ordem de 30%. Já o crédito ficou praticamente do mesmo tamanho.

Isso, segundo ele, obrigou o produtor a usar menos tecnologia ou diminuir a área de plantio ou, ainda, a buscar recursos onerosos de outras fontes. “O socorro financeiro acenado pelo governo está chegando tarde e não é do tamanho que a crise exige”, disse.

"Se as duas últimas safras foram boas, as quatro anteriores foram frustradas pelas condições climáticas", lembrou Albuquerque. Essa realidade levou o governo a renegociar dívidas que muitos agricultores ainda não quitaram.

A previsão da Faep é contestada pela Organização das Cooperativas do Paraná (Ocepar), que reuniu hoje (14), em Curitiba,  presidentes de cooperativas agropecuárias e de crédito de todo o estado, para discutir a crise.

De acordo com o presidente da Ocepar, João Paulo Koslovski, embora o agricultor tenha plantando com custo maior, em função do aumento do preço do fertilizante, ainda é cedo para diagnósticos pessimistas. “Todas as análises da economia mostram que o último setor a ser afetado pela crise é sempre o agrícola, porque alimento sempre tem demanda”, observou .

Segundo Koslovski, o agricultor tem a seu favor, no momento, boas condições climáticas e a área de plantio é a mesma da safra anterior. Se houver redução, ele acredita que ficará abaixo dos 5%, o que considera insignificante.

Para o presidente da Ocepar, o agricultor vive um bom momento em relação ao único produto que tem para comercializar na entressafra, que é o trigo. “O Paraná é o maior produtor, responde por 50% do total nacional, e tem um trigo de qualidade ótima, que poderá ser exportado se o dólar apresentar uma paridade em relação aos preços internos”, prevê.

Koslovski defendeu a manutenção de linhas especiais de crédito para dar suporte à comercialização da produção agrícola. Segundo ele, o produtor, hoje, está recebendo US$ 480 dólares a tonelada, preço acima do mínimo. “O que o governo tem que manter, neste momento de crise, são os chamados recursos de giro. Não permitir que os bancos deixem parados como aval de segurança, os R$ 100 bilhões de depósitos que têm em caixa. Destinem estes recursos para renovação e novos financiamentos”, ressaltou.

Na opinião do presidente da cooperativa Agro-Industrial de Rolandia (Carol), Eliseu de Paula, o único temor dos produtores é que os países consumidores entrem em recessão e deixem de comprar. “A alta do dólar por enquanto só trouxe mais reais para o nosso bolso. Estamos em vantagem, sabemos plantar, produzir e, no campo, a crise costuma chegar bem depois e ir embora bem rápido, nem dá para sentir”, observou.

O economista-chefe do Banco do Brasil, Uilson Melo Araújo, ao falar sobre os impactos da crise para os representantes de cooperativas paranaenses, disse que o cenário de perda de dinamismo na economia mundial deve ser revertido em, no máximo, três anos. “Vai ocorrer uma desaceleração, mas o Brasil é um dos países mais produtivos do mundo e seu crescimento acontecerá, principalmente, nos setores da agricultura, construção civil e comércio exterior".

Ele demonstrou otimismo em relação às medidas de liberação do recolhimento do compulsórioaos. "Estamos tendo problemas de liquidez, mas em nenhum momento falamos de insolvência", destacou em relação ao setor.

Segundo o economista, o país deu passos fundamentais na condução das políticas macroeconômicas. "Nossas instituições estão fortes e não há espaço no Brasil para medidas populistas."



 


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