O papel da imprensa no Caso Isabela Nardoni
Até o dia de hoje não havia escrito uma linha sobre o caso Isabela Nardoni. O motivo era muito simples: a grande cobertura que a mídia está dando para o caso. Apesar de contraditório, esse é também o motivo pelo qual decidi escrever sobre o assunto. Os principais suspeitos, agora na condição de indiciados, tem sofrido um massacre cotidiano por parte da imprensa brasileira, principalmente dos canais de televisão. Sobre o assunto, a Folha de São Paulo publicou uma matéria trazendo a informação de que o Caso Isabella faz audiência de telejornais crescer até 46%.
Trata-se de um julgamento antecipado por parte da mídia e conseqüentemente da população brasileira. Há notícias de que uma equipe de reportagem de uma emissora tentou invadir o apartamento onde mora Alexandre Jatobá, pai de Anna Carolina Jatobá. Além disso outras pessoas tentaram invadir o edifício onde os suspeitos se encontram, fazendo ainda, ameaças como a do bilhete ao lado. Estão no seu direito? Certamente que não.
Analisando a questão pelo lado emocional, esse crime é revoltante, contudo não é a imprensa, nem a população que devem julgar sumariamente estas pessoas.
No aspecto jurídico, enquanto a Justiça não condená-los, ambos são inocentes. Não estou aqui querendo afirmar que os dois estão sendo injustiçados, longe disso, mas uma coisa posso afirmar com certeza: Alexandre Nardoni e Anna Carolina, pai e madrasta de Isabela, respectivamente, nem precisam sentar no banco dos réus para ouvir a sentença. Já estão condenados! Depois de tanta exploração sobre o assunto, não existe a mínima possibilidade dos futuros jurados levarem em conta os argumentos da defesa durante o Tribunal do Júri. A convicção destes já estará formada, não só em decorrência da brutalidade do crime, que sem dúvida chocou a todos, mas também em função da exploração desmedida pela imprensa brasileira. Até em programas como o apresentado por Ana Maria Braga estão tratando do assunto de maneira intensa. Tudo em nome de alguns pontinhos a mais no IBOPE e do conseqüente retorno financeiro que isso proporciona.
Obviamente que o papel da imprensa numa democracia é fundamental, contudo, há limites que na minha opinião não vem sendo observados, principalmente pelas televisões, na cobertura do caso.
Além disso, a repetição incessante do tema tem chamado a atenção de crianças, como meu filho de 6 anos, que fica grudado na TV a cada chamada ou matéria sobre o caso. O que passa na cabeça de uma criança sobre o assunto? Como explicar que o principal suspeito é o próprio pai da menina? Em sua cabeça, o pai é aquela figura que transmite segurança, proteção e amor. E no caso presente esta imagem é totalmente inversa. Tratei de explicar, resumida e superficialmente, o que ocorreu e a partir de então tento desviar sua atenção para coisas mais interessantes para uma criança com essa idade!
Todos queremos que os culpados pelo crime sejam punidos, mas tudo deve ser na forma da lei, ou seja, a condenação, a punição deve ser dada pela Justiça. Ninguém mais tem esse poder!
Portanto, conforme nossas leis, este casal é inocente até o trânsito em julgado da sentença condenatória!
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