23 de Outubro de 2008 - 21h03 - Última modificação em 23 de Outubro de 2008 - 21h03
Campanha em Belo Horizonte leva candidatos a baixar o nível em acusações mútuas
Marco Antônio Soalheiro
Enviado Especial
Belo Horizonte - Ao som do refrão de um jingle recheado de expressões chulas ofensivas ao adversário Márcio Lacerda, o candidato à prefeitura de Belo Horizonte, Leonardo Quintão (PMDB), disse hoje (23), um dia após as pesquisas indicarem que Lacerda o ultrapassou, que o eleitor mineiro surpreenderá no domingo (26).
“Em BH tem o voto da moita, porque tem muita pressão de dois palácios [do governo e da prefeitura] em cima do eleitor. Você que é o eleitor da moita, vai caladinho, pode ir até com broche do adversário, mas vai lá na urna e dá o troco, que eu vou ser prefeito dos mais pobres e continuar todos os bons projetos”, afirmou Quintão, no estilo coloquial que implementou desde o início de sua campanha, ao participar de ato público em frente à Assembléia Legislativa de Minas Gerais.
Chamado de “mentiroso” por Márcio Lacerda em debates recentes, Quintão prometeu transferir a pecha ao adversário no último debate na televisão, marcado para amanhã (24), às 22 horas, na Rede Globo Minas.
“O candidato [Lacerda] me acusou de mentiroso, mas ele é que é um araponga. Fica olhando questões da minha vida pessoal, olhando onde que eu estudei”, reclamou Quintão, referindo-se ao fato de Lacerda ter questionado a validade dos diplomas em cursos de economia e administração de empresas obtidos pelo peemedebista no exterior.
“Tem várias denúncias [contra Lacerda]. Esse homem não é o bom empresário que diz ser. Ele tem mais de 1.500 ações trabalhistas contra ele e em outros estados tem CPI atrás dele”, acrescentou.
Centenas de cabos eleitorais e deputados estaduais do PMDB participaram do ato na praça da ALMG. Ao lado de estátuas de Ulysses Guimarães, Tancredo Neves e Teotônio Vilela, Quintão leu um manifesto em que reclama ser vítima de cerceamento da liberdade de informação por parte da Justiça Eleitoral e de setores da imprensa local.
Ontem, o Tribunal Regional Eleitoral (TRE) proibiu propaganda de Quintão na televisão, que associava Lacerda ao esquema conhecido como mensalão, quando o socialista ocupou o cargo de secretário-executivo do Ministério da Integração. O esquema consistia na distribuição de recursos a parlamentares em troca de apoio político ao governo federal, mas Lacerda tem declarações do Supremo Tribunal Federal e da Polícia Federal de que seu nome não está entre os investigados e processados por envolvimento no caso.
A campanha de Quintão, insiste, entretanto, com a vinculação de Lacerda ao esquema por meio de um jingle. O candidato socialista é apoiado pelo governador tucano Aécio Neves e pelo prefeito petista Fernando Pimentel. A letra da música, que faz menção ao mensalão, refere-se aos protagonistas da aliança PSDB e PT – Lacerda, Aécio Neves e Fernando Pimentel – como “os três patetas”. Um exemplo do nível a que desceu a campanha em Belo Horizonte.
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