sexta-feira, outubro 24, 2008

Agência Brasil - Eleição em Joinville decidirá futuro político do governador Luiz Henrique e da senadora Ideli Salvatti - Direito Eleitoral

 
23 de Outubro de 2008 - 20h42 - Última modificação em 23 de Outubro de 2008 - 20h43


Eleição em Joinville decidirá futuro político do governador Luiz Henrique e da senadora Ideli Salvatti

Amanda Cieglinski
Enviada Especial

 
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Joinville (SC) - O resultado da disputa pela prefeitura em Joinville (SC) pode indicar tendências para o cenário político catarinense. Um possível resultado negativo nas urnas do candidato Darci de Matos (DEM) significará uma derrota pessoal do atual governador do estado, Luiz Henrique da Silveira (PMDB). É o que avalia o historiador da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Waldir Rampinelli.

“O Luiz Henrique é de lá [Joinville], foi prefeito de lá e apostou muito na cidade. Se o Darci não vencer é uma derrota acachapante para o governador”, analisou Rampinelli. Por outro lado, a vitória do petista Carlito Mers representaria uma vitória também da senadora Ideli Salvati, que apóia o candidato e “quer ser governadora”, aponta o historiador.

Joinville tem hoje 487 mil habitantes – mais do que a capital Florianópolis – e 340 mil eleitores. A partir da década de 1950 viveu um período de grande expansão da atividade industrial, chegando a ser chamada de a “Manchester Catarinense”, uma alusão à cidade inglesa, que foi um dos berços da revolução industrial.

Mas, de acordo com Rampinelli, hoje a cidade vive outra realidade. “Joinville foi muito importante em Santa Catarina nos anos1960 e 1970 por causa da industrialização. As pessoas vinham muito do interior para trabalhar em Joinville e havia emprego para todo mundo. Hoje, a cidade não tem mais esse surto industrial e já há pessoas fazendo o contrário, voltando para o interior. Joinville não abriga mais tanta mão-de-obra”, apontou.

No primeiro turno, Darci de Matos (DEM), da coligação Joinville Cidadã (PSL-PSDC-PSDB-PHS-PTdoB-DEM) teve 23,96% dos votos contra 36,14% de Carlito, da coligação Joinville de Toda Sua Gente (PT-PR). Rampinelli destacou que os processos de cassação que Luiz Henrique enfrenta atualmente na Justiça, contribuem para o desgaste da imagem dele e, conseqüentemente, de Darci.

Na capital, Florianópolis, Luiz Henrique apóia Dário Berguer (PMDB), atual prefeito, que disputa o segundo turno com o ex-governador Esperidião Amim (PP). “São duas candidaturas de cunho conservador, as duas de direita. Sendo que a esquerda apóia o Amin porque o Dário está tentando ser reeleito, o irmão dele já é prefeito de São José [município do estado], então é um novo grupo político que vem surgindo”, disse.

O historiador lembrou que Santa Catarina foi governada por muito tempo por oligarquias ligadas ao latifúndio e ao sistema financeiro. “Eram duas grandes famílias, Ramos e Bornhausen. Com a ditadura militar ele se juntaram e foram criando suas continuidades. Uma delas é o Amin, que hoje é candidato, mas não é mais apoiado por essas oligarquias, tem vôo próprio”, concluiu o historiador Waldir Rampinelli.





 


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