A inércia da parte
09/05/2008 às 10h15min Paulo Gustavo partes
O ministro José Delgado, do Superior Tribunal de Justiça, costuma contar uma historinha da época em que era juiz de Direito na sua terra natal, o Rio Grande do Norte, entre 1965 e 1976.
Cedo da manhã, Delgado saía de sua casa, rumo ao seu trabalho no fórum da comarca de São Paulo do Potengi, quando um homem do povo se aproximou, timidamente, com o rosto marcado pelo cansaço de anos de labuta na lavoura.
– O senhor precisa de alguma coisa?
– Doutor, eu fui despejado lá do roçado já faz alguns meses e até hoje o patrão não me pagou nada. Preciso que a justiça resolva meu problema.
– Como é o seu nome, para que eu possa localizar o seu processo?
– Não, doutor, não tem processo ainda não…
– Mas por que o senhor não provocou o juiz desde o início da questão?
O sertanejo tirou o chapéu da cabeça, colocou-o entre as mãos, fez um rápido gesto de reverência e falou:
– Deus me livre, doutor! Quem sou eu para provocar um juiz?
(Adaptado de texto publicado na extinta seção “Fora dos autos” do site Infojur)
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